O saneador implacável

Mas soube hoje que Pedro Mota Soares é o único político português - a seguir ao seu demissionário líder que nos enche as medidas com as lições de humildade democrática! - a reclamar a surrealista qualidade de não ser hipócrita e de a acumular com a habilidade inata de fazer embrulhos e de os despachar pelos correios. Enquanto o diabo esfrega um olho, sem consultar o líder porque este não existe, leu o fax que o gabinete do engenheiro Sócras mandou com a constituição do governo, correu à arrecadação a buscar um escadote, empoleirou-se nele e apeou da parede do Caldas o retrato de Freitas do Amaral. Antes que este ou a família dessem por isso, estava feito o embrulho, em papel pardo, amarrado com um vulgar cordel de nylon e colada uma etiqueta com destino ao Largo do Rato. Já que és rato, vai-te, que aqui acabou-se o queijo embora se espere que lá mais para diante possa haver uma bolita de Limiano. Vai-te a ser ministro de estado, dos negócios, dos nacionais ou dos estrangeiros. Entretém-te a escrever biografias do Afonso Henriques que eu, se aqui tivesse o retrato dele, mandava-o direitinho para Castela, com portes a pagar no destino. Escreve peças que actores hipócritas se disponham a representar no Teatro de Trindade. Vai dando aulas de direito administrativo enquanto o pregador de domingo te não faz a cama e a lei te não jubila. Por mim, Mota Soares eu não seja, aqui no Largo do Caldas, estás saneado. Ninguém te conhece, ninguém se lembra de ti, não fazes cá falta nenhuma!
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