Com empresários destes o país nem precisa de trabalhadores

Primeiro, segundo os jornais, quarenta foram à Presidência da República para manifestarem a sua apreensão ao Dr Jorge Sampaio. Sentiam fugir-lhes para Espanha o seu sentimento patriótico e a gestão das empresas a que chamaram, muito sensatamente, "centros de decisão". Julgando, e bem, que o euro é a moeda única em cujo primeiro comboio viajamos, os accionistas da Somague entenderam que o patriotismo varia na razão directa dos euros que se possuem. Sendo assim, venderam aos nossos vizinhos do lado. Ficaram aliviados das responsabilidades e sobrecarregados com euros caindo-lhes dos bolsos. Patrioticamente.

Agora, ainda segundo os jornais, reuniram-se os chefões das associações patronais e, patrioticamente, reafirmaram a sua fé na ladainha do Beato. Pouco dados às letras e tendo visto recusado o convite endereçado ao Dr António Lobo Antunes para que fosse ele o relator, tiveram que ser eles a redigir o documento. Claro, linear e objectivo como impõe a objectividade dos números. Foram felizes e não se perdeu nada que o Dr Lobo Antunes tenha continuado entretido com os Cus de Judas. Senão atente-se no seguinte parágrafo:
Há que garantir o dinamismo da procura interna, assente no investimento e na evolução sustentada do consumo, sobretudo do consumo privado, por via da libertação de maior rendimento disponível das famílias.
... não basta termos passaporte europeu: importa sentirmo-nos, vivermos e trabalharmos como europeus.
A obtenção de níveis adequados de receita pública depende mais da criação de riqueza assente na redução dos custos de produção, que da impossibilidade de um esforço contributivo insuportável às empresas e aos cidadãos, que acaba por trair perversamente os seus objectivos, como a quebra da receita fiscal o vem demonstrando.
Ficamos na dúvida, porque tanto o senhor de La Palisse com o senhor Luiz Pacheco poderiam ter escrito tão belas linhas. Mas não temos dúvidas em relação a um aspecto: país que tem empresários destes, não precisa de trabalhadores. Força com a liberalização dos despedimentos. Avante por Nossa Senhora de Fátima e pelo Conde de Ourém!
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