Em memória de Zeca Afonso

Zeca acreditou em ideais simples e lineares e empenhou-se na tarefa de contribuir para que se alcançassem. Recusou-se a assinar propostas de filiação, não sobrecarregou o bolso com cartões inúteis, não quis logotipos, emblemas ou sinetes. Por muito que reclamassem o seu apoio para a eleição da colectividade de bairro ou se confessasse adepto do clube da aldeia. Em vida recusou a condecoração que o presidente da República entendeu atribuir-lhe. Por coerência a viúva voltou a recusá-la a título póstumo: se a recusou em vida não gostaria de a receber depois de morto!
Por alturas da sua morte recordo como um insulto os cabelos compridos e as ideias curtas de um rapaz que ganhou o festival RTP da canção cujo apelido, se me recordo, era Gama. Mas cujo nome não era Vasco. Dizia ele, ignorante e alarve - a ignorância é muitas vezes alarve! - não lhe dizer nada o nome de Zeca Afonso e não conhecer o seu trabalho. Não me ocorre, passados estes anos, o nome do rapaz. Da obra-prima com que ganhou um festival que ninguém recorda, não ficou nada. Nem o nome da canção, nem a letra, nem a melodia. Em Aveiro, onde Zeca nasceu, o seu nome é integrado na toponímia municipal. No Porto já o tinha sido!
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