País exemplar
Foi pelo seu passado como militar, onde devem estar em causa armas e não sacos de batatas, que Valentim Loureiro chegou a presidente do Boavista, da Liga de futebol e da Câmara de Gondomar. Foi assim que, para melhor servir ao seus munícipes, Fátima Felgueiras se ausentou para o Brasil e para a praia de Copacabana, a expensas da autarquia, onde se reciclou como o papel de jornal, de barriguinha para o ar, trabalhando para o bronze. E ainda agora, num julgamento que se sabe inútil porque o réu se jura inocente, Isaltino Morais declarou ter depositado alguns trocos em contas bancárias em seu nome, na Suiça, para os acautelar da malandragem que por aí campeia. Quando o assunto veio a público, uns anos atrás, jornalistas mal formados e orgãos de comunicação sem escrúpulos, tiveram a pouca vergonha de asseverar que o Dr Isaltino declarara que essa meia dúzia de tostões eram pertença de um seu sobrinho, por sinal motorista de táxi num dos cantões da confederação. E, mesmo que na Suiça, como na Alemanha, os motoristas sejam bem pagos, a verdade, verdadinha, é que o senhor de Oeiras nunca disse nada disso.
Agora, para os lados de Braga, uma empresa intermunicipal, viu ser nomeado para seu presidente o senhor Domingos Névoa, alto responsável por uma empresa de construção e exploração de parques de estacionamento, recentemente condenado por corrupção, em tribunal e por erro crasso deste, já se vê. Do facto, ao menos, resultou da pena um enriquecimento significativo do seu currículo pessoal, a troco da exorbitante multa de 5.000 euros da qual, por elementar sentido de justiça, se interpõs recurso. Mas o facto da condenação constar dos seus atributos, mesmo que ainda a título precário, convenceu o vitalício presidente da Câmara de Braga e os seus sócios na tal empresa. E nada melhor para corrigir uma aleivosia e uma injustiça como a que o tribunal cometeu em relação ao senhor Névoa, do que nomeá-lo presidente. Ao menos, pode acreditar-se nisso, o mesmo poderá de futuro corromper-se a sí próprio, com evidente economia de esforços e, espera-se, poupança de fundos. Na mesma senda, facínoras a cumprir penas de prisão serão nomeados guardas prisionais. Até que o senhor ministro da Justiça regulamente, em conveniente portaria, a carreira para ascenção a cargos mais elevados e mais dignos, como director prisional.
1 Comentários:
País exemplar!
Daria para rir, se não fosse tão sério...
Fátima
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