Dilatando a fé e o império

Uma afronta, Dr Sousa Lara. Para si e para a família, que se empenhou nas plantações de cana de açúcar na Catumbela e que fez da Cassequel um símbolo da fé e do império. De botas altas, calças e balalaica de caqui amarelo, capacete colonial na cabeça, subiu o senhor da fímbria do mar até à altitude temperada do planalto como, antes de si, só o senhor Silva Porto tivera a coragem de fazer. A bem da pátria e, de todo, contra o ultimato que o Dr Barroso esqueceu num simples almoço nos Açores, com o senhor Blair sentado do seu lado esquerdo.
Como poderia V. Exa., com funções de responsável governante, permitir a edição de mais um evangelho, como se não bastassem os que, autênticos, já havia! Ainda por cima havendo a intenção de apresentar a obra a concurso nuns jogos florais promovidos por uma câmara de província, com resultados a divulgar em pleno dia do Corpo de Deus, mesmo que depois da procissão, quando batessem as trindades. Onde, muito provavelmente, o respectivo presidente e alguns dos seus vereadores estariam a contas com a justiça, indiciados por crimes de corrupção e peculato. Ou teriam mesmo partido na primeira caravela, a caminho das Terras de Santa Cruz, com a Bíblia num bolso e o produto do desvio no outro.
Admiro-lhe o espírito grandioso e Deus me ajude a seguir-lhe o exemplo, excluindo o caso da Moderna de que, honestamente, nem os automóveis me interessam. Para que consiga, também eu, desinteressado de todos os bens materiais e devolvido o cartão de sócio do Sporting, deixar de pecar no Alvalade XXI, sem nenhum benefício do sistema e com o padre Melícias ao meu lado direito. Para que eu possa, como o senhor, fazer as minhas orações diárias antes de me deitar, incluindo nelas a fé na conversão de todos os infiéis, incluindo o senhor José Saramago.
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