A vocação submarina do país

Mas, por uma vez, reconheçamos que Paulo Portas, ministro, cumpre a vocação submarina do país e a pátria, agradecida, há-de reconhecê-lo e erigir-lhe uma estátua, mais tarde ou mais cedo. Já hoje o ouvi dizer, a pretexto de declarações produzidas por terceiros e a que faltou o celestial bom senso de Luís Delgado, que Portugal não pode abandonar a sua tradição marítima. Por isso mesmo, pense a Nato o que pensar, proceder à aquisição de submarinos é um acto simultaneamente heróico e patriótico. Tivesse ela sido deliberada mais cedo e não teríamos perdido nem a Índia nem S. João Batista de Ajudá. E, quase seguramente, teríamos submetido o malogrado Samora em Cabo Delgado, mandado um submarino ocupar a albufeira de Cahora Bassa e metido atrás das grades, ainda vivo, o Dr Savimbi, por muito que protestasse o seu afilhado, Dr João Soares.
Um país que descobriu novos mundos, que teve um infante D. Henrique a programar descobrimentos enquanto chapinhava nas margens do Douro, um Álvares Cabral que largou ferro à descoberta do Brasil sem uma única bússola e um Fausto a produzir uma obra de referência como é o Por este rio acima, não pode abdicar, sem luta e sem orgulho, do seu destino secular. Tendo marinheiros, mesmo em terra, tem que ter barcos e submarinos. Barcos já tinha: os que vão para o Barreiro e para o Seixal. Submarinos vai tê-los, embora sem percursos disponíveis para que se lancem nas carreiras regulares. Mas, no actual estado de coisas, um deles poderá patrulhar a costa algarvia, de Sagres a Vila Real de Santo António e o outro poderá ser afecto à fiscalização permanente do Douro internacional. Ambos sob o comando de um capitão de mar e guerra. De preferência, que saiba nadar!
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