1 de junho de 2004

Faltam 13 dias para a sardinhada

Histericamente, como é hábito. Com base em meia dúzia de inquéritos feitos a residências ainda dispondo de telefone fixo. Das quais, se calhar, metade recusaram participar na farsa. Inseguros e nervosos como virgem em noite de núpcias. Quando havia virgens e as noites de núpcias ainda eram o que já não são. Deste modo se ocupam os apresentadores dos noticiários da manhã, a divulgar os resultados de mais uma sondagem sobre as próximas eleições para o Parlamento Europeu.

Mesmo descendo, o Partido Socialista assoma à porta da maioria absoluta. Qual maioria absoluta? No Parlamento Europeu? A coligação dos partidos do governo fica a não sabemos quantos pontos, com o pelotão quebrado. O Partido Comunista conserva o terceiro lugar no ranking e o Bloco de Esquerda segue-o, em quarto lugar. Com Pedro Abrunhosa à ilharga. Como na volta a Portugal em bicicleta, serra da Estrela acima, a caminho das Penhas da Saúde. O pelotão, penosamente, esfrangalha-se aos poucos, monte acima.

Isto é a campanha eleitoral para um acto que tem para o país o interesse de eleger 24 deputados num total de 732, o equivalente a 3,28 por cento. O peso que o país realmente tem no conjunto da Europa alargada a 25 membros. Pouco, quase nenhum.

A ninguém ocorre informar sobre o Parlamento Europeu, a sua localização e as suas funções. Ninguém chega ao ponto de divulgar listas de candidatos, salientar acções desenvolvidas em benefício da comunidade e propostas que apresentam ao eleitorado. Um candidato propõe-se, com um partido novo e uma mentalidade velha, virar tudo do avesso. Não pelo que propõe, que não propõe nada. Apenas pelo facto do partido ser novo e se apresentar sem cadastro na polícia. E precisar do emprego.

O discurso nivela pela elevação dos candidatos. É subterrâneo, como a toupeira, que cega à luz do sol. Nem sequer se parece com o Metro do Porto, que corre à superfície. Não propõe. Em vez disso, insulta, lança a suspeita, diverte-se com a animação, ri-se com a piada alarve. José Vilhena agradece, nenhuma musa, na intimidade, lhe poderia levar melhor e mais vasta inspiração. Aquela malta treina, sem ser para o jogo com a Grécia. É para a sardinhada de Santo António. Fosse este o candidato e já alguém teria sugerido que, de bexiga cheia, mija para os sapatos. Já alguém teria perguntado à senhora do palanque se o apelido é dela. Ou do marido!

Faltam treze dias. Aprontem as grelhas e o carvão. Apressem-se na pesca. Ainda há tempo para o salto à aldeia, no fim de semana. A obter a pomada, fresca, a espichar do pipo. Cuidado com os excessos de sal. Que são perniciosos. Para a pressão arterial.

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