18 de novembro de 2004

Campo de reeducação







Vou ouvindo pela manhã fora, na TSF, o ministro Sarmento reduzir a uma peça vazia e inútil o relatório apresentado pela Alta Autoridade para a Comunicação Social sobre os elogios públicos que o ministro qualquer coisa da silva em tempos dirigiu a um conhecido comentador em vias de extinção. O relatório, diz o ministro Sarmento, não tem credibilidade, ponto final, não se fala mais nisso.

A emissora nacional que usa a sigla TSF, programa a mando do independente Luís Delgado, supervisionado por Horta e Costa sob orientação directa da central de informação que o ministro tutela. E que o orçamento, na defesa do interesse e da soberania nacionais, legitimamente paga com o dinheiros dos nossos impostos e com os proveitos da venda daquilo que também é nosso.

Assalta-me a dúvida - porque eu tenho-as - quanto ao exacto significado de credibilidade. Pobre de conhecimentos e ainda de recursos, socorro-me daquilo que tenho à mão: o Dicionário da Língua Portuguesa, da Porto Editora, 6ª. Edição, e anoto:

Credibilidade - qualidade do que é crível.

Crível - digno de crédito, verosímil.

Verosímil - que parece ser verdadeiro, que não repugna acreditar, provável, plausível, crível.

Quer dizer, se bem entendo, o ministro Sarmento limita-se a dizer que o tal referido relatório não é digno de crédito, não parece ser verdadeiro, repugna acreditar nele, não é nem provável, nem plausível, nem crível. Com menos palavras e mais curta conversa é simplesmente falso e mentiroso. Dói-me desde logo, pelo ministro. E faço os esforços de que sou capaz para me imaginar vestindo-lhe a pele, o que é difícil.

Deve de facto ser frustrante de todo governar um país e um povo que não são nem dignos de crédito nem sequer verosímeis. Politicamente a oposição não é crível e o mesmo acontece até com os Drs. Marques Mendes e Pacheco Pereira que, não sendo oposição, o imitam muito bem. A justiça não é crível e ainda hoje se lhe imputam irregularidades processuais que datam do século dezoito. Na educação resta a credibilidade da ministra e o rigor na colocação dos professores. Na saúde a única credibilidade limita-se à extinção das listas de espera e à redução das comparticipações nos medicamentos, apesar do esforço titânico dos hospitais esseá. Na defesa nacional e no mar, haja Deus, a credibilidade é assegurada pela encomenda de submarinos e pelo funcionamento dos estaleiros. No plano interno a credibilidade é assegurada pela Brisa e pelo ministro Mexia, dando-se o devido desconto ao presidente da câmara de Tavira. No plano externo a credibilidade já se reduz à exportação de traficantes e às sucessivas importações de droga da Colômbia.

Como sempre se soube, a rádio Moscovo não fala verdade. Como mais tarde acrescentou um secretário-geral, o tal relatório padece de parcialidade e assenta numa miserável ausência de fundamentação. Não há quem emita um despacho a mandar aquela gente para um campo de reeducação? Rapidamente e em força?



1 Comentários:

Às 4:57 da tarde , Anonymous Anónimo disse...

O que para mim é mais estranho é o papel da Alta Autoridade Para a Comunicação Social. Para que serve o relatório se apesar das conclusões é inconsequente e absolutamente incapaz de evitar futuras ingerências por parte do governo nos meios de comunicação social? Pobre país o nosso!

um abraço,
amnésia

 

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