Angola e petróleo

Em segundo lugar. Quando em Outubro de 2003 me aventurei nesta estranha coisa dos blogues não sabia nem o que eram e repetidamente perguntei para que serviam. Recordo-me de ter deixado um comentário num post do Barnabé e de ter ganho uma visita e, creio, o meu primeiro linque na coluna da esquerda - mesmo que ali não haja nem colunas do centro e muito menos da direita! - do blogue milionário. Não quer isto dizer que hoje saiba, mas pelo menos sempre são menos as dúvidas. E, em minha opinião, um blogue também serve para isto. Para trocar impressões, manifestar ideias, defendê-las. Por mim, e por temperamento, tentando a ironia e o sarcasmo relativamente a cada um dos pouco esperançosos dias que vivemos. Sem perder de vista a utopia e o sonho, sendo que este comanda a vida e, isso deixando de acontecer, a vida fina-se.
Em terceiro lugar. Um esclarecimento de índole estritamente pessoal. Angola não me é um país de todo estranho. Não sendo angolano de nascimento morrerei sendo-o do coração. Quase que lá dei os primeiros passos, frequentei as diversas escolas, tive os meus namoricos, nasceram-me os filhos. Bebi água do Bengo, comi cacussos pescados nas lagoas do Panguila e grelhados nos fogareiros do Letra. Fiz, deixei e conservo amigos. Uns do lá de cá, outros do lado de lá. Frequentemente repito uma curta frase de Camus em que se diz que em África o mar e o sol são de graça. Para acrescentar que é preciso conhecer África para entender a densidade de uma tão curta frase.

Conheci bem o enclave de Cabinda, na altura com cerca de 120.000 habitantes, e o campo petrolífero do Malembo, sendo certo que toda a exploração, concessionada à Gulf Oil, era "offshore". A exploração estendeu-se a território angolano propriamente dito e, ao que sei, os jazigos foram sendo progressivamente localizados ao longo de quase toda a orla costeira. Quanto aos diamantes, cuja exploração esteve entregue à Diamang, em regime de exclusividade, na zona da Lunda, foi repartida - como aliás acontece com o petróleo - por outras empresas enquanto, como se sabe, o triunfo foi do garimpo e o enriquecimento do cacique.

Em penúltimo lugar. Coincidimos no essencial e não vislumbro, pela minha parte, divergências de maior. O investimento - já agora, lá como cá, salvaguardando aspectos específicos - deve de facto ser feito no futuro, naquilo que não dá votos nas próximas eleições, naquilo que reduz um pouco a capacidade de compra dos melhores champanhes franceses, naquilo que reduz os índices de mortalidade infantil e que prolonga a esperança matemática de vida para lá dos 40 anos.
Em último lugar. Quero referir o último parágrafo apenas para salientar que expressamente, e no bom sentido, o ignoro. Porque nunca o pensei, não o penso e não virei a pensá-lo. As opiniões de quem o pensa são, a meu ver, perfeitamente dispensáveis: estão completamente a leste dos problemas, devem ser pura e simplesmente menosprezadas.
A questão é complexa. O raciocínio e o alinhamento defeituosos. Um blogue é escrito assim: no fim da navalha, pendurado no trapézio sem rede de segurança. Se for preciso outros posts haverá para corrigir ou acrescentar factores que possam contribuir para melhorar o conjunto. Desculpo-me por isso. E sem favor ou reconhecimento tomo a liberdade de incluir o Dito Cujo na minha lista de linques.
1 Comentários:
Olha, um grande (enorme) 2005.
...com tudo de bom !
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