30 de março de 2005

Cargos políticos

Uma das coisas de que eu gosto mesmo é saber que o governo e a oposição do país se reúnem para acordarem sobre os cargos de nomeação política. Digo mais! Gosto mesmo de o saber, seja qual for o governo e seja qual for a oposição, ou inversamente. Por alguns motivos comezinhos, como eu, vindos de uma cabeça normal e de um tipo que nunca se deu ao cuidado de mandar medir o seu QI. E que, para além disso, nunca se muniu de nenhuma balança de ourives ou de fita métrica de costura para o tentar fazer ele próprio.

Em primeiro lugar tais reuniões formalizam o indiscriminado emprego de "boys and girls", sendo que aqui a terminologia é propriedade do engenheiro Guterres, o político português mais viajado de todos, logo a seguir a Mário Soares. A situação tende a ser cada vez mais vulgar depois de 1974 e faltava apenas a ponta final de pouca vergonha que lhe desse a forma de contrato. De facto ninguém, em Portugal, procura competência. Ou, como dizia o outro, ninguém procura trabalho, mesmo que toda a gente vá insistentemente procurando emprego.

Depois, porque um tal acordo evita aos outros arcarem com a tarefa de nos qualificarem como terceiro-mundistas, o que é sempre um acto desagradavelmente odioso: fazemo-lo nós mesmos, cometendo o trabalho aos nossos omniscientes representantes. E atribuímo-nos a nós mesmos o estatuto inultrapassável de menoridade mental, de incapacidade jurídica, de permanente necessidade do tutor.

Creio que não é difícil de perceber a um QI normal como, apesar de tudo, suponho ser o meu. Mas será difícil aos incontáveis QI's superiores que se passeiam pelo país, que o dirigem e que o projectam para o histórico desiderato das descobertas. Lugares políticos são os que enquadram a estrutura do governo. Mesmo assim com a limitação rigorosa do número de assessores e das respectivas remunerações. Para se não correr o risco, recentemente falecido, de ter um ministro da defesa a nomear assessores com ordenados muito superiores ao seu e acabar, na semana seguinte, a invejar-lhes os cargos e a lamentar que nenhum deles o pudesse nomear para cargo idêntico.

Abaixo dessa estrutura política todos os cargos são profissionais, não devendo depender da flutuação da bandeira eleitoral. E o provimento dos lugares deve ser assegurado por um sistema honesto, nem sequer é preciso que seja sofisticado, basta que seja sensato e bem intencionado. Agora esta alternância negociada nunca deixará este país ser mais que um sítio. E, por mais que cresçam os lucros da banca, os membros do grupo espírito santo nunca destronarão nem Deus nem o seu Filho!

1 Comentários:

Às 11:25 da tarde , Blogger rajodoas disse...

Caro amigo Luis tenho tido alguma dificuldade em aceder a esta caixa para deixar os meus bitaites. Julgo que se deva tratar de uma dificul
dade do próprio alojador. Hoje curiosamente consegui facilmente. Quanto ao abordado. Pessoalmente sou de opinião que os cargos da admninis
tração pública até director geral deveriam ser sempre ocupados por titulares de carreira, ou seja de entre os directores de serviço ascen
deriam a subdirector-geral e o topo da carreira seria o de director. Nunca e a titulo nenhum andarem a recrutar gente da côr política. Com um abraço do Raul

 

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