11 de abril de 2005

O congresso

A felicidade, vão por mim, deprime. E a depressão, como sabem os leigos, os veterinários e o infatigável Vasco Pulido Valente, conduz ao suicídio. Por isso já durante a guerra do Biafra era muito mais elevada a taxa de suicídios na Escandinávia do que na Nigéria. E hoje as coisas assim se mantêm, apesar das reservas de petróleo, da subida permanente das cotações no mercado de Nova Iorque e da liberalização dos preços dos combustíveis neste jardim - salvo seja e sem ofensa para ninguém do Mercado dos Lavradores! - à beira-mar plantado.

Um país feliz é um país que arde em fogo brando, como se cozesse arroz de miúdos de cabrito para levar ao forno de lenha, pintado com açafrão, tem neste mundo mais do que as setenta virgens que o profeta reserva aos mártires, não sabe o que são dificuldades a português ou a matemática, marimba-se para o novo código da estrada e para as coimas ameaçadoras e tão pouco se preocupa já com o silicone que a Elsa Raposo, acidentalmente residente na quinta dos burros, possa ou não ter nas mamas que lhe fogem pelo gargalo.

Um país feliz pensa invariavelmente na morte da bezerra, quer que se lixe a evasão fiscal, pensa organizar uns jogos olímpicos e acredita, por temor a Deus e incomensurável respeito pela classe política, que o túnel de Ceuta há-de ter saída e que, com a seca, as catacumbas do Terreiro do Paço hão-se ser percorridas por um comboio chamado metro, com partida sem atrasos do jardim fronteiro à Câmara de Gondomar.

Este país, e eu com ele, começou um Abril sem águas mil, mesmo considerando aquele fatídico dia um, em que anualmente tanto se empenha na descoberta de uma verdade que faça de mentira. Com a globalização as pessoas esqueceram-se do passado, em Montmartre já se não ouve o Avril au Portugal, o atarefado Boaventura de Sousa Santos corre mundo a dar aulas e a integrar manifestações que façam da felicidade uma coisa tão generalizada como os hamburguers da Mc Donalds.

Apenas este fim de semana o país deu sinais, mesmo lentos e imperceptíveis, de querer mexer-se. A felicidade, ao fim e ao cabo, é como as equipas de futebol: de sítio onde se é feliz não se deve mudar, não se varre o chão, não se espana o pó, não se encomendam requalificações ao arquitecto Siza Vieira. Excepção feita ao Futebol Clube do Porto que, de novo, persistiu na asneira de descer até ao Bessa e de ouvir o que não gosta, em dialecto de Lordelo e da própria boca de Jaime Pacheco.

E tal evento foi, para além do casamento do Príncipe de Gales com a Camila, depois de um noivado que lhes roubou a juventude, a idade adulta e parte da velhice, o congresso do PSD em terras a que Sebastião José deu o nome. Não ganhou um pediatra que prometia creches gratuitas e vitaminas à ganância nos supermercados. Mas ganhou um de Fafe, esgrimindo o típico varapau de marmeleiro.

E desde logo fez saber que o país não era tão feliz que pudesse adormecer sobre a beleza de Inês de Castro e a beatitude da Rainha Santa. Tem prioridades e tais são, depois de devolvido Santana Lopes à pobre Câmara de Lisboa e recambiado o adversário a Vila Nova de Gaia, o referendo sobre a Europa. Não pense o engenheiro Sócrates que vai votar sozinho, ele e a sua pandilha, incluindo ex-comissários europeus e revendedores de combustíveis do Baixo Alentejo.

Já é qualquer coisa para combater a depressão, para fazer de todos nós pessoas simples, com cinco sentidos como tinham os nossos avós e até, ao que parece, o senhor João Semana que uma moita de flores reincarnou em Nicolau Breyner. Agora se o país tivesse alunos a abandonar os estudos antes de concluída a escolaridade obrigatória, se houvesse pessoas no desemprego, filas de espera que, por decreto, não tivessem sido extintas com os hospitais sa, velhos a mais para o comprimento ridículo das pensões! Isso daria que pensar. Mas até um exilado político que à falta de recursos próprios ia comendo da sopa dos pobres, decidiu regressar à Guiné Bissau, recensear-se como eleitor e disputar a presidência a um psicólogo evadido do Júlio de Matos. Aumentando os recursos disponíveis para pagar a redacção da pergunta e imprimi-la em decente papel bond de 100 gramas!

3 Comentários:

Às 9:20 da tarde , Blogger rajodoas disse...

Oh amigo Luis o seu sarcasmo é impar. O quanto me divertiu a parte final do posto do evadido do Júlio de Matos para assumir novamente a presidência da Guiné Bissau. Mas olhe é um grande peso que nos é tirado de cima pois como se lembrará o dito evadido era exilado político e isso tem custos elevados para o nosso País. Com um abraço do Raul

 
Às 5:54 da tarde , Anonymous Celine disse...

Numa me vizitaste Porque?

 
Às 5:54 da tarde , Anonymous Celine disse...

The DISCOVERIES Of the MAN and the WOMAN the Man discovered the COLORS and invented the PAINTING, the Woman discovered the PAINTING and invented the MAQUIAGEM. The Man discovered the WORD and invented the COLLOQUY, the Woman discovered the COLLOQUY and invented the FOFOCA. The Man discovered the GAME and invented the LETTERS, the Woman discovered the LETTERS and invented the TAROT. The Man discovered AGRICULTURE and invented the FOOD, the Woman discovered the FOOD and invented the DIET. The Man discovered the FEELINGS and invented the LOVE, the Woman discovered the LOVE and invented the MARRIAGE. The Man discovered the WOMAN and invented the SEX, the Woman discovered the SEX and invented the MIGRAINE. The Man discovered the COMMERCE and invented the MONEY, the Woman discovered the MONEY and there everything fudeu...

 

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