17 de julho de 2007

A palhaçada

Lisboa está, desde domingo último, muito mais circunscrita à zona de Sete Rios e aos limites, gradeados, do jardim zoológico. Acabaram, para já, as acrobacias de rua, as cambalhotas, os truques de ilusionismo barato, a propaganda, a qualquer preço, sobre os benefícios múltiplos e perenes da banha da cobra. Havia, segundo a contagem do Dr Vasco Pulido Valente, 12 candidatos à presidência da Câmara, qual deles o pior, o mais demagogo, o mais descarado. No final de uma eleição intercalar que acabou por não ter nenhum significado, e como sempre acontece, todos reinvidicaram vitória. Até o Dr Monteiro, subalterno do tesoureiro de qualquer agremiação que promove as danças de salão como via para o desenvolvimento, se afirmou publicamente satisfeito com o seu particular desempenho e com os resultados obtidos.

Desprezando a parte decimal, que não tem para este efeito nenhuma importância significativa, 63 por cento dos lisboetas estiveram-se cagando para os candidatos e para a Câmara e não se deram à vergonha de contribuir para o espectáculo grotesto e ridículo. Mesmo que o tempo não tivesse chamado por aí além para as praias da costa, para o pratinho de caracóis e para a imperial. Estes foram os que actuaram mais ajuizadamente, que manifestaram maior sensatez, que arrecadaram os louros da vitória. Mesmo que o licenciado em engenharia civil Sócrates tivesse discursado das varandas do Hotel Altis para 3 apoiantes de bandeira às costas, apinhando-se a toda a largura da Rua Castilho. E que o celebrado Doutor Vital invoque, de Coimbra e a despropósito, o terramoto de 1755 e a queda de um gigante como lhe parece ser o Dr Marques Mendes.

Os apregoados 30 por cento do Dr Costa, cabeça da lista mais votada no domingo representam apenas 14 por cento do eleitorado e, como se sabe, pecará sempre por excesso devido à desactualização dos cadernos eleitorais e aos mortos que civilmente ainda os enxameiam. E os outros, coitados, representam ainda menos do que isso, incluindo o gozado Dr Monteiro, o indescritível Dr Telmo and "his master" e o advogado biscateiro nestas andanças, Dr Garcia Pereira. Não sou lisboeta e nunca vivi em Lisboa, mas tenho sinceramente dó de quem é e de quem vive. Entregar o governo de uma instituição falida, de más contas e pior conduta, a um qualquer gigantone eleito por meia dúzia de celerados é triste e é dramático. Inconsequente já se sabia que seria sempre!

3 Comentários:

Às 3:56 da manhã , Blogger bettips disse...

Agora que acabou o circo, como nos governamos? Temos que ver a "presidência" travestida de Amar-o-penteado todas as noites? Só quero ver o aumento do jardim Botânico: estive lá há umas semanas e nem o self está arrumado quanto mais a extensão dele! Por exemplo, é só um exemplo. Mas do que tive mais pena foi de 12 amigos vezes X apoiantes da cidade se prontificarem ao "sacrifício"...
Já cá me faltava a farpa! Abraço

 
Às 1:08 da tarde , Anonymous Anónimo disse...

Ainda bem que regressaste.

 
Às 8:21 da tarde , Blogger Meg disse...

Até que enfim...
É com alegria que te sinto de regresso. Este espaço, quando vazio, é muito triste.
Agora vou perder-me na leitura.
Um abraço

 

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