27 de março de 2007

Grandes portugueses

Confesso que não acompanhei o programa televisivo e sobre o assunto estou, naturalmente, mais virgem e intacto que o Dr Pulido Valente e a sua prosa dos fins de semana. Mas, mesmo assim, devo reconhecer que o mesmo teve o excepcional mérito de permitir a convalescença da D. Maria Elisa em pleno estúdio, frente ao desconforto das câmaras e dos projectores, em vez de a obrigar, coitada, a conseguir a nomeação de adida na embaixada em Londres e de se esfalfar diariamente a ver as novidadese e a fazer compras no Harrods para minimizar os efeitos da esquisita doença de que padece.

Para além disso parece que o concurso foi ganho por um qualquer fulano sem importância nenhuma, com pouco de português e nada de grande, nascido numa ignorada aldeia beirã onde nem Cristo passou e muito menos se deteve. Tanto assim que foi liminarmente excluído numa primeira selecção de candidatos, realizada pelos amanuenses que o serviço público e o regime incubiram da tarefa. Primeiro pelas botas, cambadas, fora de mora, de fabrico artesanal e grosseiro, embora capazes dos pontapés mais certeiros e violentos no cu da insolência e da contestação. Depois pela vulgaridade! Não lhe preservava a memória um nome de rio, de aldeia, de rua ou mesmo de travessa, nem que fosse o do Possolo. Muito menos de um museu, de um pavilhão desportivo, de um estádio de futebol ou de alguma coisa que pudesse, sem esforço, relacionar-se com a fama do apito dourado.

O Esteves, como em vida chegou a ser conhecido, teve razão quando defendeu que o povo português era estúpido e não estava preparado para viver em democracia, durante o curto período de mais de 40 anos em que exerceu o cargo de primeiro ministro. Funções que, como se sabe, o licenciado em engenharia civil José Sócrates ocupa há mais de um século e de que o Dr. Soares se viu livre como um passarinho,depois de ter escondido o socialismo no fundo da gaveta, tarefa em que se ocupou nos tempos livres que lhe deixaram as ocupações da praia do Vau, quase desde a idade média, ainda o arquipélago de S. Tomé e Princípe não tinha sido descoberto.

Púdica, reverente e obrigada a televisão de serviço público e o Dr. Almerindo Marques remeteram os resultados do concurso para uma sala esconsa nas águas furtadas do seu sítio na internet. E por simples descuido do contínuo de serviço ou do secretário de estado de plantão, o número de votos não é revelado, indicando-se apenas as respectivas percentagens. O António, que era o nome de baptismo do feliz contemplado com uma viagem às Caraíbas, para si e para os descendentes, ganhou com 41% dos votos, mais do que o Dr. Soares alguma vez teve para regedor da freguesia que o viu nascer. O que, acho, nos leva a concluir que a história se não apaga. Até hoje nenhum bom filho aplaudiu o facto de D. Afonso Henriques ter "batido na mãe". Mas não foi por isso que de imediato solicitou a anexação do país por parte da Espanha. O que até seria sensato e certamente mais proveitoso...

8 Comentários:

Às 12:44 da tarde , Blogger bettips disse...

Assim, não! Não há veia artística/humurística que te "resística"! Já pensaste oferecer-te para o "Sol" ou mesmo para o "Espesso" e dar-lhes umas pinceladas para lavar a face? O VPV que se levante do cadeirão e chame a criada, inquirindo quem é este??? Do Norte? Então o "norte" não era "reaccionário"? Ah salazarento opróbio, mais valia votarem nos morangos, acho que me envergonhava menos de ser deste country-side! Abç

 
Às 12:47 da tarde , Blogger bettips disse...

..."humorística", lá vai réguada! Ou pensaria eu no "húmus" da terriola? confusa que chegue... O meu ex-combatente que se salvou por um triz, gostaria de saber quantos ex-combatentes, ex-famílias a ir a Fátima a pé...quantos teriam votado na nódoa?

 
Às 2:13 da tarde , Blogger Meg disse...

Estou sem palavras...
Já falamos.Bjs

 
Às 2:26 da tarde , Anonymous Anónimo disse...

O povo tem sempre razão...
"Felizes os ignorantes, deles é o reino dos céus!"
Quanto a ti...não há nada a fazer!

 
Às 2:32 da tarde , Blogger Pedro Javier Mazzoni disse...

Mas será que já ninguém neste país entende de estatística?
Será que em vez de debater quem é para os portugueses o maior português, ninguém fala em amostras auto seleccionadas?
É que este método usado neste caso, nada de científico tem...

 
Às 3:06 da tarde , Blogger bettips disse...

Carai, quando se trata de SS eu não quero saber de estatísticas, um já é demais! Tenho dito.

 
Às 3:19 da tarde , Blogger Meg disse...

Como já disse algures, vi o "primeiro episódio" da coisa, um dos mais votados então, foi um jovem (nem actor é) dos tais ditos Morangos. Por isso não me mereceu mais atenção... a votação falou por si. Além disso acho que se tratou apenas do relançamento da M.Elisa... pelos vistos, em má hora.
E quem votou? Devem ter sido os meninos que andam pelas faculdades aprontando ameaças e procurando oportunidades...Quem mais, não sei, memórias curtas ou mentes perturbadas.
Ex-combatentes não foram concerteza,porque, esses sim, não esquecem!
Bjs
Estar atento é preciso!



É preciso estar atento

 
Às 10:38 da tarde , Anonymous Anónimo disse...

LFV
Como sempre, mordaz, cáustico!
Venho sempre a este teu blog com muita satisfação, embora não comentando. Hoje não resisto… Sinto-me prostrada pelo facto desse senhor de Santa Comba ainda andar por aí! E tenho muito receio que a História faça dele um grande homem. Se continuarmos com este tipo de branqueamento…
Uma coisa é certa: os promotores deste “espectáculo” devem estar arrependidos. Tarde demais!
Fátima

 

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