11 de junho de 2008

O Jorge. O regresso.

O Jorge é um amigo de longe, no tempo e na geografia. E, por isso, não se explica. Por mais longos que sejam os silêncios entre nós, abriu-me a mão sempre que precisei dela. E eu, como a generalidade dos outros, apenas me lembro de Santa Bárbara quando se ouvem os trovões. Foi assim um ano atrás, quando lhe liguei a pedir ajuda. Foi assim há nove meses quando minha mãe me deixou orfão, e ainda hoje me parece que foi ontem. Foi assim quando por aí afixou um comentário a querer saber de mim. Trocámos mensagens de mail em menos de meia hora, falámo-nos em cerca de uma. Fez, mais uma vez, o que sempre tem feito. No dia seguinte, ou ainda no mesmo, lágrimas salgadas vieram-me aos olhos só de pensar nisso, só de o contar a quem estava perto de mim. Os tempos modernos de um feroz e injusto neo-liberalismo, seja lá isso aquilo que o ministro das finanças disser que é, não são fertéis em amizades que não abracem o interesse material, de preferência convertível em euros. E amizades destas são hoje parte de uma pre-história que a minha geração, felizmente, viveu. Despreocupada e feliz. Foram tempos de negritude. Foram tempos de humanismo.

O regresso, para o qual quero arranjar força e motivação. Fará, para já, com que o Cabo Raso entre em obras de restauro ou, como é de uso corrente e se calhar do acordo ortográfico, de requalificação. À capa de tal palavrão, dois celebrados arquitectos nortenhos e um invertebrado economista, transformaram a Avenida dos Aliados, na invicta cidade, numa autêntica pedreira com um tanque de lavar roupa a meio a que pretenciosamente chamaram espelho de água. Sem nunca terem passado por Mateus. O Cabo Raso começou por ser um divertimento, e feliz seria eu se conseguisse que o fosse para mim e para alguma meia dúzia de incautos leitores que, por desígnios do destino, aqui hão-de aportar. O reinício começa pela escolha de um novo modelo e pela consequente eliminação de todas as ligações que existiam. Esse facto não significa o abandono de nada nem de ninguém e uma lista de ligações, provavelmente menos extensa, irá sendo progressivamente construída. Porque, apesar de tudo, eu "conheci" pessoas neste meio de que gosto muito e cujo trabalho tenho em grande apreço. Não vou enumerá-las, para além de inconsequente isso seria deselegante ou grosseiro. Mas vou fazer por poder continuar a contar com elas. Porque também elas, todas, podem contar comigo.

Obrigado Jorge. Um apertado abraço!

11 Comentários:

Às 5:49 da tarde , Anonymous Miriam disse...

Sinal de vida.....bom sinal!!!!

 
Às 5:18 da tarde , Anonymous Anónimo disse...

Até que enfim! Já ia sendo tempo de voltares.
Que regressess em força!
Fátima

 
Às 6:47 da tarde , Blogger Jorge C. Reis disse...

Olha lá meu Caro:

Será que não tens vergonha de vir para aqui, publicamente, com esse palavreado sobre mim ??? :-)
Obrigado pelos elogios... mas acho que não os mereço. Conheces-me bem e sabes o que sou e como sou... mas nem tanto. Até me fazes sentir mal, rapaz !!! :-)

Fiquei feliz pelo recomeço. Em força meu caro. Vamos reavivar esse belo blog. Gosto do que escreves (muito melhor do que eu) e era uma pena perder-te na tua solidão.

A net tem vida... bons e maus momentos... mas aqui se arranjam amigos, ódios e amores. Como na vida real... e tu sabes disso.

Ainda bem que voltaste. Vou ficar ligado. Serei um admirador incondicional dos teus escritos. Já o sabias.

Inscreve-te por aí num site de amigos e divulgação do blog e ... vamos em frente.

E não te esqueças de que estou aqui em baixo à tua espera.

Abraço forte.
Jorge

 
Às 8:03 da tarde , Anonymous Jair Borin disse...

Tomei conhecimento do seu blog por intermédio do Jorge. Vou acompanhá-lo pelo RSS. Tenho impressão de que temos muitas coisa em comum. Abraço.

 
Às 8:28 da tarde , Blogger Catarino disse...

Olá, vim visitar seu blog para ver o que está sendo feito em Portugal.
Tenho um blog no Brasil e gostaria que me visitasse e deixasse sua impressão.
Abraço.

 
Às 10:38 da tarde , Blogger João disse...

Amigo,

As amizades e afectos não tem idade,eles são eternos como os "deuses".
Talvez pode-se dizer que só os "deuses" sabem ser amigos profundamente.
Só eles sabem transportar sentimentos sempre em moda,vejo que tem um amigo assim,o Jorge,conheci-o há pouco aqui na net,moramos no mesmo distrito,e tenho estima pela sua seriedade e sinceridade.

Deixo-lhe um link de outro blog,de uma amiga igualmente "iluminada" pelo seu coração,que tem até uma campanha a seu favor,o que demonstra que na net,tambem há afectos verdadeiros;

http://poetaporkedeusker.blogs.sapo.pt/

Deixe um comentário lá,que será bem recebido,ela é muito especial como pessoa.

Vou guarda-lo nos favoritos e visita-lo para o ler,vejo que tem talento na ponta dos dedos. :)

Abraço amigo,
joao

 
Às 12:53 da manhã , Blogger Marcelo França disse...

Olá meu caro, fiz uma visita ao seu blog e fiquei impressionado com a qualidade de seus textos, um dia eu chego lá. Meus parabéns pelo blog, não desanime e vamos com força total!

Ps: Vi num comentário anterior a sugestão para você se cadastrar no Dihitt, se assim o fizer, me adicione por lá, sou o thumaiss

Abraço!

 
Às 6:21 da tarde , Blogger AM disse...

Caro LFV

Como sabe nutro uma grande admiração pela sua escrita.

Obrigado pelo regresso.

Faz (muita) falta.

AM

 
Às 12:38 da manhã , Anonymous Anónimo disse...

Ainda bem que és capaz de reconhecer algumas coisas em ti.
Também eu precisei de ti e do teu apoio quando fracturei o meu tornozelo. Infelizmente, faltaste e desapareceste, nem atendeste o tlm e decepcionaste quem tão profundamente confiou em ti.
Sabes, as amizades cultivam-se nos bons e maus momentos,mas tu não o soubeste fazer nesse mau momento e foi pena e que pena.Mas sobrevivi à tua falta,porque outros amigos souberam fazer o que não soubeste. É tão dificil dar apoio a um amigo quando ele está desfeito.
É, por isso, que os teus tão louvados escritos me fazem sorrir até porque não passam mesmo só de uns escritos aqui num blogue e há tantos blogues neste país que não só dos políticos tão abstrusos que temos.
Ainda bem que o Jorge se incomodou e saiu do seu egoismo para te dar a mão.
Foi pena, tanta pena que tenhas decepcionado quem confiou em ti, apesar do tempo, da distância, do silêncio e até do desconhecimento de quem eras ou estavas, afinal.
Ainda bem que recomeçaste a tua pequena vaidadezinha que é este blogue, porque tem algum interesse.

E já agora sê feliz e faz alguém feliz, se tiveres oportunidade.

De uma amizade morta( sabes quem sou e não vale a pena pôr nomes.Para quê?)

 
Às 10:48 da tarde , Anonymous Anónimo disse...

Mas isso são coisas que se façam sur LFV? Abandona-se assim um(a) amigo(a)?

 
Às 6:34 da tarde , Blogger rosario disse...

........vim aqui ter, através do Jorge,e penso que tens, nele,de facto, um grande e especial amigo...
...quanto à Av. dos Aliados, fartei-me de rir com a tua descrição......muito divertida, mas é totalmente verdadeira....infelizmente.....

....continua a escrever, pois é uma óptima forma de libertar as emoções e sentimentos.....

Rosário

 

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