A época de caça

Ao fim da tarde era o regresso, com os troféus, selvaticamente mortos, pendurados pelas pernas na parte superior das jaulas que também traziam de regresso mais exaustos e mais esfaimados cães, conformados com a triste sorte e a alta segurança das gaiolas.
Não compreendo que heroicidade se exibe estrada fora, a uma velocidade superior aos 120 quilómetros do código, quando se penduram pelas pernas, mortos, três magros coelhos, com o pêlo jovem e ensanguentado. Vencidos numa luta desigual e de modo traiçoeiro por um inimigo tendo mais de cinquenta vezes o seu peso, com a ronha de uma idade oitenta vezes superior à sua. Contando com armamento capaz de submeter Bin Laden e recorrendo ao desvairado auxílio de vira latas adestrados na traição e no ataque cobarde.
É um valente o arrojado caçador. Que com tiros nem sempre certeiros mas sempre aos pares, põe termo à vida curta de coelhos mal criados e se senta à mesa de muitos restaurantes de que faz retiro, onde se vai empanzinando de enchidos caseiros, substanciais cozidos à portuguesa, empurrados à força dos melhores tintos. Antes dos doces solenes dos conventos e do aromático café arábica importado do Brasil.
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