17 de dezembro de 2004

O circo

A Câmara de Gondomar não é uma autarquia, é um circo. Não daqueles circos que pela quadra que se atravessa por aí surgem para assentar arraiais no Coliseu do Porto, nos terrenos do Lima 5 ou até da Rua de Faria Guimarães e que rapidamente debandam depois do enterro do ano velho e de consumado o baptizado do ano novo. É, ao invés, um circo permanente, que se mantém em cartaz, apenas decretando os fins de semana como dias de descanso. Para ir à missa de manhã e à bola de tarde. Não se compreende sequer que se aguente em cartaz durante tão longo período, tão curto e tão pouco diversificado é o seu elenco.

O circo da Câmara de Gondomar é nacionalista como foi o Benfica de outros tempos e apenas utiliza artistas nacionais, embora não consiga os mesmos resultados. Não apresenta animais selvagens das florestas de África nem sequer trapezistas ou contorcionistas vindos de esquisitas repúblicas que se não sabe onde ficam. O mestre-sala é o mesmo há muitas épocas, tem um aspecto desgastado e uma assiduidade precária. Sem aviso prévio e sem apresentação de nenhum boletim clínico, chega a faltar aos maiores espectáculos e às galas especiais de casa cheia.

Ainda ontem assim fez, sem que nada o justificasse e sem que o seu lugar perigasse. Pior do que isso, nem o seu vice-chefe assegurou a substituição, retido em casa de ressaca à custa das ordinárias bebidas que algumas casas nocturnas têm o ganancioso hábito de servir. O alinhamento do espectáculo foi sobremaneira comprometido. Os mais complexos guiões do programa desapareceram e não foram localizados até ao fim da noite. A actuação dos palhaços foi confiada a velhos empregados de limpeza que também ocupam a bilheteira. Os espectadores riram mas foi do desajeitado jeito, não da pantomina hábil.

Para o início da semana todo o pessoal do circo está já convocado, independentemente das habilidades que saiba fazer ou da idade que tenha. Não se poupam nem os reformados nem as crianças de escola. Os primeiros, se estiver tempo de sol, faltarão ao jogo da sueca no jardim do costume. Os segundos terão que conseguir uma segunda chamada para os testes que tinham marcados.

Os programas desaparecidos hão-de aparecer. No meio dos volumosos processos respeitantes a obras no concelho que ontem nem a Judiciária conseguiu localizar. Mas não há possibilidades de estarem noutro qualquer sítio. Mesmo que ontem tivesse faltado, o mestre-sala não teria levado para casa nada disso. Pelo menos é o que se pensa, até porque dificilmente caberiam na pasta.

2 Comentários:

Às 11:54 da manhã , Blogger rajodoas disse...

Depois destes vários maus exemplos que nos vão aparecendo ainda há quem pense que a política não anda
enredada no futebol.

 
Às 8:36 da tarde , Blogger mfc disse...

Quem falou de promiscuidades entre a política e o futebol??!
O caso do Maj. Valentim e a anunciada( e não desmentida) possível candidatura de Pinto da Costa à Câmara do Porto provam-no!
Então teremos dois concelhos irmãos e contíguos, qual siameses!

 

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