Infância

Pela primeira vez em muitos anos encho o peito de um irreconhecível orgulho de ser português. Já o não sentia desde que, heroicamente, uma guarnição de meia dúzia de homens armados de canhangulos e equilibrando-se no convés de uma canhoneira, resistiram a um exército indiano numeroso e maltrapilho, de pelo menos alguns cinco milhões de soldados, quando da invasão de Goa, Damão e Diu. Mesmo sem a inspiração divina do Dr. Portas que, por essa altura, embora nacionalista convicto, não era nem ministro da defesa nem sequer filho da D. Helena Sacadura Cabral.
Portugal não está incluído nas tabelas do relatório da Unicef e o que temos são os números nacionais, antes de ter sido extinta a delegação do Porto do Instituto Nacional de Estatística. Que referem que apenas dois por cento da população global, entre 1992 e 2002, vivia com cerca de 75 cêntimos por dia, o equivalente a 150 escudos. Convenhamos que, com tal importância, ninguém em Portugal poderia passar fome, bem pelo contrário. Honra e glória aos políticos que têm governado o país - e a eles próprios também, já agora! Uma importância daquelas, à altura, dava pelo menos para dez carcaças e para algum meio litro de vinho.
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