7 de dezembro de 2004

Abandono

À trágica diminuição dos índices de natalidade e ao irreversível envelhecimento da sua população o Porto tem somado, a caminho da desertificação, a incompetência arrogante e impune dos autarcas que o têm governado. Já aqui o escrevi e agora, também aqui, o repito. Fernando Gomes foi o primeiro autarca, depois de Abril de 1974, a ser eleito para um segundo mandato. E o desempenho, bem como o resultado, são sobremaneira conhecidos: a cidade teria sido menos penalizada se mesmo ele o não tivesse sido.

A cidade foi reconhecida há oito anos como património da humanidade pela Unesco. Pouca gente hoje o recorda, nenhuma tabuleta o ostenta, não se pode invocar obra que o justifique. Não é apenas responsável pela calamitosa agonia da cidade a vereação que hoje ocupa os paços do concelho. Sejamos conscientes: são todas elas, mesmo que procurando empurrar responsabilidades para o lado e tirar o cavalo da chuva.

O centro histórico do Porto, aquele que a Unesco reconheceu como património da humanidade, está ao abandono. E, como se não chegassem as ruínas e os destroços que se vão multiplicando, a cidade tem feito luxo num conjunto de outras inutilidades, sem projecto, sem uso e sem destino. Leia-se hoje o que aqui é escrito sobre o assunto e a moderação que carrega cada uma das afirmações. Saliente-se a torre erguida no Terreiro da Sé que se persiste em designar por Casa dos Vinte e Quatro. Não serviu para nada, não serve para nada, é um simples mamarracho na paisagem, o seu destino razoável e lógico é a demolição. Sem que as responsabilidades possam ser todas assacadas ao arquitecto Fernando Távora. Aviltante é que tenha sido um turista suíço a queixar-se à Unesco e que esta tenha, em consequência, pedido justificações.

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