7 de julho de 2005

O contexto da cueca

Há dias, em mais um assomo de etílica sensatez, o vitalício régulo das terras de Zarco, Teixeira e Perestrelo, afirmou publicamente não querer a reserva invadida por indianos e chineses e apenas permitir a entrada temporária de pretos desde que sejam portadores de visto válido e se apresentem habilitados com a carteira profissional de jogadores de bola e praticantes de batuque. Absorvido com os problemas do défice, o aumento parcimonioso dos funcionários públicos e a insuficiência das pensões de que beneficiam os mais necessitados ministros, o governo da república - como usam chamar-lhe - não se apercebeu da ocorrência. Mesmo assim, e embora atordoados, alguns dos membros das associações de moradores da Quinta da Atalaia e da Almirante Reis, reagiram às informações e manifestaram-se chocados e ofendidos.

Também parcimonioso, veio a terreiro o vice-chefe da tribo solidarizar-se com o grande Descabeçado Burricoide, num discurso circular sem tentativas de quadratura, lamentado o boicote a Cuba, a curta duração dos discursos de El Comandante e o seu incontestável desapego ao poder. E referir que as afirmações deviam ser interpretadas no respectivo contexto, com o régulo em cuecas de algodão, de cor branco encardido e com aberturas atrás e à frente, para facilitar a libertação de gases e o arejamento do grilo, enquanto ensaiava para o corso do próximo carnaval.

Magoado ficou o embaixador da China que, para desagravo, enviou no primeiro barco saído das Berlengas uma garrafa de saquê, com fita azul no gargalo e respeitosos cumprimentos num cartão de canto dobrado segundo o protocolo e o gosto da governanta. Rendeu-se sua insolência ao gesto diplomático e ao sabor acre e forte do desconhecido tipo de jeropiga. E assim sendo prontificou-se a recebê-lo na sua própria palhota, a permitir fotografias para os jornais de Oeiras e Gondomar e a aceitar o desinteressado patrocínio da festa anual do chão não sei de onde, expresso em nada menos que seis caixas de 12 garrafas cada uma.

Na calha fica a assinatura do protocolo que permitirá a comercialização do líquido desentupidor em conjunto com os sifões para lavatórios e sanitas, sendo o assunto cometido à competência de um conselho de lavradores sem mercado, de que será presidente, tesoureiro e relator um qualquer ramos que tenha rebentado nos penhascos do Pico do Arieiro e resistido à devastação dos maxilares das cabras do monte.

1 Comentários:

Às 9:47 da manhã , Anonymous Anónimo disse...

Malfunctioned?
[b][url="http://hydrocodone.dewall.info "]buy hydrocodone[/url][/b]

 

Enviar um comentário

Subscrever Enviar comentários [Atom]

<< Página inicial