5 de janeiro de 2006

Recursos humanos

Um jogador de bola sai do Brasil, de um Rio Grande qualquer, como zagueiro de team de futebol de praia, com esmerada técnica de esfola canelas no bico da chuteira. Embarca no Galeão já promovido a central indiscutível da selecção canarinha, ambidextro como político, habilidoso como Garrincha, eficiente como Pélé, vencedor de todas as copas. A meio do atlântico, a 30.000 pés de altitude, sob os efeitos de pressurização da cabine, já virou treinador vitorioso com curso, diploma e currículo. Desembarca na Portela, enquanto não há Ota e só há otários, perfilado para seleccionador dos Emiratos Árabes Unidos, com direito a vivenda na vila de Cascais, refeições nos restaurantes do Guincho e o petróleo necessário para alimentar a limusina. Depois de um mês de adaptação celebra os caracóis e o cozido à portuguesa, adora o fado, enaltece o passado glorioso dos seus ascendentes transmontanos. É capa de revista lado a lado com Lili Caneças e Cinha Jardim, frequenta o Centro Cultural de Belém e escreve sobre as modernas técnicas de gestão de pessoal. Chamam-lhe em grandes parangonas técnico especialista em recursos humanos. É das arábias … por causa do petróleo!

1 Comentários:

Às 8:01 da tarde , Anonymous Planície Heróica disse...

Ora até que enfim!!
Já tinha saudades do seu sentido de humor.

Um abraço,
Francisco Nunes

 

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