22 de fevereiro de 2012

Mau génio


Com ou sem acordo ortográfico são duas palavras. Três sílabas. Oito letras. Com a particularidade de nas oito letras estarem contidas as cinco vogais. E apenas três consoantes. Mau génio escrito assim, causa apreensão, sugere nervos à flor da pele, espírito irascível, violência doméstica e muitas outras coisas que a imaginação leve a supor. Ou que até nem consegue.

Mas pode escrever-se: Mau, génio! Com uma vírgula de permeio, se os cariocas deixarem e os alfacinhas permitirem. E o génio deixa de ser mau, mesmo que esteja lá escrito. Coisas do português, língua traiçoeira, que os portugueses são os últimos a aprender. E que um dia destes a minha querida doutora Dorinda me há-de explicar de novo e concluir que, de facto, não vale de nada queimar-me os quatro neurónios que me restam.

Como tudo, as palavras podem ser representadas pelas duas iniciais: MG! Em Portugal podem significar Marinha Grande, terra onde se fabricam vidros e se batia em políticos no decurso das campanhas eleitorais. No Brasil, com ou sem acordo, será Estado de Minas Gerais, capital em Belo Horizonte, de onde tenho conhecido gente por aí, atendendo a balcões e distribuindo carinhos por quem mais precisa deles.

Como a Keyla, em Ourém, que foi injetando minha mãe de insulina até ao fim. Uma pretinha meiga, doce, linda. A quem só falta mesmo ter olho azul para ser escandinava. Os cabelos louros a gente podia imaginar. Nunca mais te vi, como vai você, seu maridão, seus meninos? Vocês todos me fazem saudades e as saudades, vocês sabem, me trazem lágrimas!

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