A crise

Mas também a classe política, afinal, se lamenta da perda de apoios indispensáveis à subsistência, como aquele patusco deputado que queria aberta a cantina da Assembleia da República à hora de jantar, para garantir que tinha onde e como ingerir, a preço módico, a malga de sopa que lhe confortasse o estômago para o descanso da noite e para um despertar tranquilo às onze e meia do dia seguinte.
E a mesma classe, composta essencialmente por reformados de múltiplos empregos, vê-se agora na necessidade de acumular pensões de reforma, de alguns milhares de euros cada uma, para prevenir a osteoporose e acautelar a formação dos netos em escolas privadas e dispendiosas, onde a qualidade não é garantidamente melhor do que no sector público. Custa vê-los reformados e a trabalhar para aconchegar o rendimento familiar. Desde o mais alto magistrado da nação ao obscuro advogado que representa a herdeira de uma gorda fortuna, fortuitamente assassinada em terras de Vera Cruz. Pelos vistos, depois de ter transferido para contas bancárias em seu nome, alguns milhões de euros - largas centenas de milhares de contos! - que lhe possibilitem ir comendo, de vez em quando, uma alheira de Mirandela com batatas fritas e ovo estrelado!
1 Comentários:
Foi uma óptima surpresa esta passagem por aqui.
Poucos como tu conseguem chamar os bois pelos nomes.
Voltarei, sem dúvida.
Bem hajas, caríssimo Luís.
Um abraço
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