5 de outubro de 2010

República


Uma tropa fandanga, maltrapilha de espírito, acantonada de Palaçoulo a Odeleite, afoba-se em comemorações do que os arquivos lhe dizem ser o centenário da implantação da república. Aperalta-se para os jantares à conta do orçamento e penteia-se para os discursos que pronuncia e que simultaneamente aplaude. Julga conhecer o país como ninguém, palmo a palmo, no perímetro do triângulo delimitado pelo Tavares, o Gambrinus e o Tivoli onde, numa mesa de canto, o senhor Vasco Pulido Valente faz de oposição, lendo os Lusíadas e encharcando-se em uísques de 20 anos. A Boca do Inferno já é estrangeiro, onde a república permitiu a alguns devotados patriotas construir casas com muros altos e canis espaçosos, e o Guincho é terra de ninguém que só o professor Marcelo frequenta para os seus mergulhos de inverno à procura de inspiração para as suas aparições milagreiras de fim de semana.

E pergunta, justa e justificadamente, quem sendo de Palaçoulo ou de Odeleite, não é frequentador das pensões manhosas entre Belém e São Bento, o que é que realmente se celebra e se os factos o justificam. Para já não falar nos gastos que todos abocanham, como rafeiros que correm sofrêgos, pela vinha vindimada por onde antes passou, de rapina, o nacional agente técnico de engenharia, a pisar uvas numa quinta de Sabrosa. De facto, que se vislumbre, nada de meritório ou, pelo menos, de jeito. O primeiro troféu de caça da república, implantada em 5 de Outubro de 1910, ainda o Dr Mário Soares estava desterrado em São Tomé e Príncipe a tentar a desajeitada subida a coqueiros grávidos do equador, foi o regicídio de 1908. Depois, à balbúrdia da monarquia seguiram-se as muitas e permanentes balbúrdias que por aí prosseguem, em nome do interesse nacional e do sacrifício do Zé Povinho. Sempre com a mesma merda, embora com diferentes gerações de moscas!

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