19 de setembro de 2011

Quatro anos e dez dias

Ficará a princípio a ideia de que a data passou em claro. Mas nenhuma data, nenhum mês, nenhum dia, nenhum momento passam em claro, Deolinda. Desta vez exprimi-me no Facebook porque aqui se me afogou a vontade de dizer fosse o que fosse. Dias antes estivera perfilado defronte do sítio onde penso que pouco ou nada restará de ti. Não me compreendo, pensei que nunca fosse capaz de o fazer. E faço-o, calmo e tranquilo, com as lágrimas correndo-me pela alma como se fossem rios. Lembro-me da tua alegria da última vez que estivemos no Agroal, com o Miguel. E é no Agroal que se me afoga toda a esperança. Ao menos num sítio de que gistavas tanto.

Fui à Festa Grande, sozinho. Nunca mais voltara, desde que te levara e te sentara numa cadeira de praia para que visses o teu mundo, falasses com os teus conhecidos, que eram todos. A ternura com que dizias “conheci muito bem o seu pai, a sua mãe, o seu avô, a sua avó”, de tantos anos que já levavas da vida. Fui por ti e pela tradição. Tu estás comigo, em todos os sítios e em qualquer momento. A tradição deixou de o ser e caminha para a extinção. Apesar de uma missa cantada que terminou a meio da tarde e do preço exorbitante dos bolos, que não comprei.

Sem ti não fazem sentido nem a missa, nem a quermesse, nem os bolos. Nada mais faz sentido minha Mãe!

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