19 de fevereiro de 2012

Roteiro para a natalidade

Há coisa de uma semana, competentes estatísticas (Eurostat, Ine, Census, Universidade Católica, Junta de Freguesia de Espite?) divulgavam aquilo que já se sabia, das mesas dos cafés aos bancos dos jardins públicos. Os portugueses são os que mais vezes fazem sexo por semana, ainda que isso pouco lhes adiante e a média, mesmo ponderada, fique longe da dos membros do governo, ministros e ajudantes incluídos. E talvez até mesmo do que fazia D. Afonso Henriques, enquanto se ocupava das tarefas de dilatar fronteiras e aniquilar a moirama.

Uma semana depois vem o presidente Cavaco, também conhecido por senhor Silva na freguesia da Madeira, exortar os portugueses a que façam filhos. E deixa implícito que os devem fazer em casa, de forma a evitar as importações e as cegonhas que os traziam de Paris, a bem da redução do endividamento, da ajuda externa, da balança de pagamentos e dos rendimentos do Dr. Catroga. Foi um ato patriótico que importa realçar, especialmente depois do impedimento de sua excelência em transpôr os portões da escola de António Arroio e por tê-lo feito rodeado de seguranças que o protegessem da letal ameaça de jornalistas encartados, prontos a pendurar-lhe a imagem na ponta de um disparo dos flashes.

Mas tal exortação pode ser um pau de dois bicos. Uma tragédia, se lavada a sério pelas centenas de milhar de desempregados, indigentes e meliantes que, tendo lido o manual para a procriação que anos atrás foi escrito pelo Dr. João Morgado, na altura ilustríssimo deputado pelo CDS, se entreguem ao coito sem proteção, nos portais das lojas, sob as pontes, nos prédios abandonados ou nas celas das prisões onde, mesmo sob vigilância severa, os presos se enforcam. Porque isso vai aumentar o número de desempregados, de dependentes das drogas, de alcoólicos e de arrumadores por cuja extinção o presidente da câmara do Porto vem lutando há três mandatos. E, a não ser seguida a prática daquele histórico parlamentar, terá de regressar do Olimpo, onde flutua, a poetisa Natália Correia, a fim de retificar um poema com que o imortalizou, dos passos perdidos a Sendim. Por, de forma desleixada, apenas ter feito um filho, parece que exatamente em período carnavalesco.

Pode, por outro lado, ser a salvação da Pátria e determinar a entrada do Dr. Cavaco na história da União Europeia, do país e da freguesia de Boliqueime, feito estátua encomendada por ajuste direto e plantada no adro da igreja. Perante a qual se curvarão em vénia respeitosa, os fiéis que se dirijam à missa ou que dela saiam, o pároco, o bispo e a memória do Cardeal Cerejeira. Que sempre advogaram o sexo sem píluta e sem preservativo, determinadamente para fazer filhos como os coelhos que foram os responsáveis pelo povoamento da Madeira, dignos e ilustres antepassados do foliante Alberto João. Será muito maior a oferta de emprego, os porões das naus abarrotarão de remadores e emigrantes, redescobrindo o Brasil e desobstruindo de dejetos as sentinas da senhora Merkel e do senhor Sarkozy. Este país ainda há de ser um imenso Portugal, ó Chico!

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