7 de março de 2012

RTP – 55 anos


«A Radiotelevisão Portuguesa iniciou a 7 de Março de 1957, faz hoje 55 anos, as emissões regulares directas dos seus estúdios na Alameda das linhas de Torres. […] Antes de entrar no grande estúdio, para emissões directas de teatro, variedades, bailados, concertos, etc., onde se movimentavam numerosas máquinas, captadoras de imagens e de som, registadoras, fiscalizadoras, transmissoras, a locutora era cuidadosamente preparada por uma cabeleireira e por um caracterizador, que trabalhava com dois ajudantes; e, depois, sentava-se, sorria, tomava as atitudes que lhe sugeriam, pronunciava as frases que lhe entregavam escritas. E a assistência estava a vê-la, ao mesmo tempo, no ecrã de um aparelho receptor e em carne e osso…»

[In Diário de Lisboa nº 12302, de 7 de Março de 1957]

Graças è efeméride o ministro Relvas está em festa e estreou para o dia principal da celebração um fato cinzento e uma gravata em tons de vermelho, adquiridos a semana passada nos saldos do Rosa e Teixeira. E esta manhã apresentou-se à hora combinada nos estudios daquela televisão, depois de uma dúzia de batedores ter aberto caminho ao seu motorista, conhecido pelo Fittipaldi de Santo António dos Cavaleiros. Assistiu, perfilado como se fosse um escuteiro, ao içar da bandeira da televisão, ladeado pelos membros do conselho de administração que exibiam cartazes exigindo o pagamento imediato de dois meses de salários em atraso. Aproveitou ainda a ocasião para anunciar que não faz nenhum sentido a guerra de audiências que empresas especializadas, pagas ao nível dos juros cobrados pelo FMI, se ocupam a medir com rigor, utilizando fitas métricas de boa marca e melhor proveniência, algures no vale do Reno. E, como se sabe, o metro é, ou era, a décima milionésima parte do quarto do meridiano terrestre. Com o rigor da austeridade do governo e aproximação ao décimo de milímetro!

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