9 de março de 2013

Pedro Álvares Cabral partiu para a Índia há 513 anos


A 9 de março de 1500, comandando uma frota composta por 13 navios, e depois de uma viagem rigorosa e pormenorizadamente planeada, Cabral largou de Lisboa para a Índia, seguindo a rota recentemente aberta por Vasco da Gama, com o objetivo de estabelecer e consolidar relações comerciais e regressar com uma carga de especiarias.


Como se sabe, quem reduziu os planos a escrito ou os digitalizou para o Magalhães, esqueceu-se de que a bordo só viajavam facínoras e analfabetos, incapazes de interpretar tão desenhada caligrafia e tão retocados mapas… E o resultado foi o que se viu: A frota rumou a ocidente, procurou com denodo o cabo da Boa Esperança e, quanto maior era a desesperança, mais rumava a ocidente e mais procurava o cabo. E tanto procurou que foi o cabo dos trabalhos até que o gajeiro divisasse terra e se pensasse ser a Madeira com o pico do Arieiro a furar as nuvens, ainda o regedor de lá andava à solta nas Selvagens, apenas de tanga a tapar-lhe as partes, facto do qual, aliás, as ilhotas ganharam a grandiosidade do nome e ele a fama e a erudição da linguagem.

Nós temos no governo dos nossos dias uma réplica rigorosa da frota de Cabral, sem navegadores, sem barcos e sem crédito, mas com uma vontade louca de ir aos mercados e às meninas, a adquirir tomates e pepinos, dispondo de dois submarinos que custaram os olhos da cara -  para cujo pagamento pedimos dinheiro emprestado - incluindo comissões, favores, prendas, viagens e enriquecimentos ilícitos e que estão aptos, depois de terem subido o rio Trancão, submersos, até à nascente e se prepararem para subir o rio Nabão até ao Agroal. Temos até, para comandar a frota, um outro Cabral, sem ser Pedro e nem sequer Álvares.

O governo exercita-se para que nada falhe e tudo corra tão de acordo com os planos, como correu a expedição de 1500 e vem correndo a redução da dívida pública. Tanto assim que, à medida que o desemprego cresce, o governo combate-o liberalizando os despedimentos. E como se isso não bastasse, o próprio primeiro-ministro prometeu diminuir o salário mínimo, promover a fome, como forma  de nos garantir a felicidade, a eira cheia e a salgadeira atafulhada de presuntos. Quando só houver desempregados, será a abastança e a expansão colonialista do século. Nem a Coreia do Norte ou as Seychelles escapam! E os submarinos levarão a bordo uma carga de pastéis de belém, se o condómino das traseiras não absorver a produção toda, como vem acontecendo com o bolo-rei. A canela poderá ser adquirida no destino, a preços de “outlet” – não sei o que significa a palavra, mas fica bem! - esperando ser possível moê-la com recurso ao “outsourcing” – esta ainda sei menos, mas que se lixe, deve ser francês do Dr. Soares! – a preços competitivos.

A pátria tem o futuro garantido, o Dr Vasco Pulido Valente tem assunto para as suas crónicas durante uns tempos e o governo em peso está às portas da imortalidade, só lhe faltando mesmo estar morto!

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