1 de dezembro de 2015

Há mulheres que se abraçam

Há mulheres que se abraçam enquanto os sonhos lhes voam por constelações para além da via láctea e que chegam ao outro lado do rio, com a largura do universo e todos os afluentes inteiros, a transbordar das margens. E a corrente que sobe pelo leito cheira a maresia, com a fragrância macia e terna das flores de tília, o branco sem adjectivos das flores de laranjeira e o verde-escuro das folhas para sempre, como se fosse domingo o dia todo.


Um abraço forte e apertado que nos traz o calor do coração à ponta dos dedos, como se não tivessem corpo e estivessem expectantes e nuas, à espera do poente onde se possa acolher o sol que lhes revolva o perfume dos cabelos, lhes humedeça os lábios finos e devolva a serenidade ansiosa e meiga do olhar. E a felicidade, mais do que a carícia de veludo da lua cheia, que arrepia sempre cada centímetro de pele, possa ser apenas como um sopro quase de repente, quase brisa, a chegar do infinito. E a ficar!

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