21 de janeiro de 2004

O aumento dos transportes não tem nada a ver com a inflacção

O aumento dos transportes e a inflacçãoDou graças a Deus por sempre ter conseguido conservar o pouco bom senso que tenho e nunca me ter sindicalizado. Se o tivesse alguma vez feito, hoje teria sido o dia de rasgar o cartão e gritar os mais ordinários impropérios contra os Srs João Proença e Carvalho da Silva.
Nunca admitiria ter dois gajos a tempo inteiro ao serviço dos trabalhadores e depois, nessa condição, saber-me grosseiramente enganado como se fosse um corno.

Hoje foram noticiados aumentos dos transportes de cerca de quatro por cento, o dobro da taxa de inflacção programada para o ano em curso. Meio mundo desatou aos gritos face à constatação e o ministro Carmona foi metendo os pés pelas mãos e tentando justificar aquilo que não tem justificação.

À tarde, com o discurso fluido e rico que se lhe conhece, a ministra das finanças veio explicar tudo: o aumento dos transportes não tem nada a ver com a inflacção. Ponto final. Se há pessoas de quem eu não duvido, nunca, é dos ministros. Dos secretários de estado já às vezes duvido alguma coisa. Aqui, não duvidando da senhora, descobri-me enganado. Pelos sindicatos, pelos seus dirigentes e por toda a gente de um modo geral.

Se o aumento dos transportes não tem nada a ver com a inflacção é natural também que não tenha nada a ver com os trabalhadores. Se calhar até nem tem mesmo nada a ver com o país nem com a União Europeia. É uma questão de aguardar pelo regresso da Dra Manuela da sua próxima ida a Bruxelas. As centrais sindicais ainda vão ter que se retractar e ir, de corda ao pescoço, apresentar desculpas à ministra.

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