Notícias do Porto 2001, capital europeia de cultura

Gozavam os lisboetas com a anedota do Metro do Porto, e tinham alguma razão. Agora temo-la todos e podemo-nos rir em conjunto. De facto ainda nos não constou que já tivesse sido inaugurada a linha do de Lisboa que passa pela estação do Terreiro do Paço. Nem, que o saibamos, o Dr Santana Lopes terá mandado espetar um painel gigante em cada uma das esquinas da praça a dizer: "Já viu que estamos aqui a tirar a água toda para os combóios poderem passar?".
Mas o Porto 2001 não foi e ainda não deixou de ser maior anedota do que a do Metro. A rua onde se situa o Coliseu, onde o evento foi solenemente inaugurado com a presença da rainha da Holanda, foi pavimentada à pressa, para se apresentar de cara lavada quando sua magestade chegasse. Depois então seriam as obras completadas como devia ser. Não foram, até hoje!
As ruas e os passeios que foram pavimentados de novo estão em petição de miséria desde o dia seguinte. O paralelo foi arrancado, uns pinos espetados nos passeis para evitar o estacionamento foram partidos, torcidos, arrancados. Algumas peças de ferro forjado que cobriam as floreiras nos passeios já desapareceram e, que se saiba, ninguém apareceu a vendê-las na feira da Vandôma.
Na fronteira entre o Porto e Matosinhos construiu-se um mamarracho a que, pomposamente, chamaram edifício transparente. Depois de pronto ninguém sabia que uso dar-lhe, e continua a não saber. Está ao abandono, camarata permanente dos ratos dos esgotos e gaivotas velhas e doentes.
Estenderam-se linhas para a circulação de eléctricos. Nunca por lá passou nenhum e receamos que nenhum há-de passar durante este século. Depois, no próximo, certamente o Dr Fernando Gomes, de novo na Câmara, há-de trazer até nós o Porto 2101, capital de qualquer coisa. E requalificar os melhoramentos então seguramente obsoletos.
Praças emblemáticas foram deixadas esventradas depois dos inconfessáveis interesses da construção civil terem plantado parques de estacionamento subterrâneos. Repor pavimentos era, segundo se disse, responsabilidade da Câmara. Esta, a custo, fê-lo em alguns sítios, ameaça fazê-lo quando tiver dinheiro noutros e chegou ao ponto de embargar as obras noutros ainda.

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