Ver telenovelas leva treinador de futebol ao desemprego

Como sempre entendem-se, verbalmente, à mesa, com o prato a transbordar de cozido e o copo convenientemente cheio de maduro tinto. Num dos dias seguintes hão-de assinar um contrato formal e os objectivos são estabelecidos logo ali: é para ganhar, mais nada! Começa o campeonato e aquela tropa fandanga lá vai entrando em campo, sempre com atraso, deita os bofes pela boca, baixa bué de sarrafada nas canelas do adversário. Ao fim de quatro jogos a equipa encaixou quatro derrotas, sofreu quinze golos, marcou três e, pior do que isso, perdeu com a equipa mais representativa da freguesia do lado, ainda por cima no seu campo. O presidente em exercício reune-se com o treinador depois da última derrota, já sem prato e sem copo à frente, mesmo no balneário, e rescinde o contrato. Por não terem sido atingidos os objectivos? Não! Por não se ter ganho. É assim sempre, quem comanda o grupo de homens é que se vai embora, leva uns dinheiritos para voltar à terra e à família, hão-de continuar a cumprimentar-se se no futuro se vierem de novo a encontrar.
Mas as coisas que assim têm sido já não são só assim. Na Liga de honra foi recentemente despedido um treinador porque de facto não obtinha resultados positivos, quer dizer, vitórias. Mais do que isso! Nos estágios jogava à sueca com os jogadores, não se tendo conseguido apurar se o jogo era a dinheiro. E, pior, quando se aproximava a hora da telenovela abandonava a prelecção, esquecia a estratégia e colava-se ao televisor. Tudo falhas graves, atropelo de elementares regras de comando. Se ao menos, mesmo em conjunto com os atletas, saísse à meia noite para um passo de dança numa discoteca e um copo num sítio recatado e discreto. Agora essa da telenovela realmente é imperdoável. Como poderia o homem, no dia seguinte, dirigir o plantel com a Marisa Cruz a encher-lhe a cabeça de intenções pecaminosas?
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