19 de dezembro de 2004

Furtivo

Hoje. Depois da missa. Embuçado por esta morrinha fria de domingo. Colado às paredes, evitando as portas do comércio aberto para o Natal do consumo imprevidente. Passei à porta de um atirador furtivo, sem reclamo na janela e sem armas que se vissem do exterior. O contador, silencioso, marca já mais de um milhão de vítimas. Os milhares excedentes são apenas trocos para deixar de gorjeta. Não se linka ninguém e não se fala nisso. Grande parte da colaboração saca-se dos bolsos das vítimas. Depois do tiro, único e certeiro. Depois de tal mortandade, de certeza, segue-se o livro, intercalado com mais 800 páginas de episódios policiais da epopeia do Dr. Cunhal. Não é preciso suprimir a caixa de comentários. Já os não havia, o seguro morreu de velho. A longevidade de um atirador furtivo é cerebralmente acautelada. Com a reforma das G-3 vêm armas de maior precisão e de maior alcance, o risco aumenta. O lançamento do livro não fará afixar editais na portaria e não será público. Furtivamente também se vende. É preciso ter calma e não dar o corpo pela alma.

Ou me engano muito ou já ouvi isto em algum lugar, numa qualquer altura. Só não sei onde, nem interessa!

2 Comentários:

Às 6:52 da tarde , Blogger rajodoas disse...

Com que então o sarcástico sou eu, amigo Luis. Não será
seguindo este exemplo que os Barnabés optaram por suprimirem tamnbém eles o acesso aos comentários. É que
são grandes as semelhanças, eles até recentemente editaram também o seu livrinho.

 
Às 6:56 da tarde , Blogger mfc disse...

As caixas de comentários são necessárias.
Já alguém pensou em suprimir as ruas devido à perigosidade urbana?!

 

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