17 de agosto de 2005

O país suspenso

Portugal é, para o bem e para o mal como nos casamentos, um país suspenso. Suspenso do tecto como os candeeiros, suspenso da corda como os enforcados de Nuremberga. Nasceu assim, suspenso das intrigas e desavenças de D. Afonso Henriques com a sua excelsa mãe D. Teresa e suspenso ainda do respectivo desfecho, do reconhecimento da independência e da conquista da cidade de Lisboa aos mouros. Que, segundo um autarca da margem sul do Douro, é tarefa que por elitismo sulista e liberal, se mantém também ainda parcialmente suspensa.

Viveu assim ainda a semana passada, suspenso da partida do primeiro-ministro para a floresta, envergando uma tanga que se diz ter sido usada por Tarzan. E assim se manteve, suspenso do aparecimento das orelhas de José Rodrigues dos Santos nos televisores e do início dos telejornais para saber novidades. Assim se mantém suspenso por cordéis velhos e esgaçados como o orçamento do estado que nos entra no bolso aumentando a receita no propósito suspenso - não se sabe de quê, nem com quê! - de com isso estancar o desenfreado aumento da despesa. E o país, de novo, se mantém suspenso na esperança de que os aumentos dos ordenados possam fazer baixar o preço da sardinha.

Como se isso não bastasse o país aumenta a libertação de adrenalina e suspende-se ainda mais. Do regresso casto, e virgem e triunfal de el-rei D. Sebastião de Àlcacer-Quibir, ainda com a espada ensanguentada suspensa da cintura. Da ladainha dos velhos do Restelo calcorreando todos os carreiros da Praça do Império e os passeios fronteiros ao Palácio de Belém. Da decisão imprevisível e demorada como parir de burra de Mário Alberto Nobre Lopes Soares - um plebeu do Campo Grande! - se candidatar à presidência da República. Ele próprio suspenso do vazio que é a falta de candidaturas à esquerda, que o mesmo é dizer de canhotos. Realmente um país assim nem suspenso seria. Seria era um país do caralho!

3 Comentários:

Às 1:02 da manhã , Blogger mfc disse...

E se calhar até é... excepto a candidatura do Ti Mário, que não estou para aturar o homem de Boliqueime!

 
Às 7:32 da manhã , Blogger LFV disse...

Nem eu! Nem de um, nem de outro. Se tivessem uma pensão de jeito, como Mira Amaral, reformavam-se!

 
Às 11:43 da manhã , Blogger Teófilo M. disse...

Correcção:

A tanga não era do Tarzan, mas emprestada pelo José Barroso europeu ex-Durão Barroso do portugal dos pequeninos.

 

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