8 de fevereiro de 2006

Cerca de 25 linhas tinha o papel selado

Razão tinha afinal o Dr Soares quando na defunta campanha para as presidenciais disparava a torto e a direito contra o jornalistas, mesmo que praticantes ou aprendizes. Acertava no alvo embora não propriamente na mouche. Também nunca foi um mérito especial do venerando Dr Soares acertar na mouche fosse no que fosse e, como diz o povo, não se pode ter tudo. Acertava assim a modos com o Cabral - que a história não reza que fosse Dr - descobriu o Brasil: partindo para a Índia! Sem fazer pontaria e sem saber como. Mas exultava como um compulsivo caçador de fim de semana que na tarde de domingo trás os cães de volta a casa com o orgulho e o discurso vernáculo de ter visto uma puta duma lebre.

Porquê? Porque nestas merdas o único que verdadeiramente sabe, sem todavia ser jornalista, é o Dr Pulido Valente. Cultiva o rigor científico com que a canalha reprova a matemática e a aproximação ao milímetro da décima milionésina parte do sacana do meridiano terrestre. Ou menos! Parece que quem manda na saúde, não sei se o ministro, se o Dr Cordeiro ou mesmo se o Sr Mello, quer encerrar um ou dois hospitais em Lisboa. Coisa pouca! Porquê? Por menos ainda: por desnecessários. Parece que têm pessoal em excesso, despesas exorbitantes e falta de doentes. O único pessoal que parece realmente indispensável - e insubstituível até às próximas eleições! - sáo os administradores e as respectivas secretárias. Os alfacinhas, descuidados e relapsos, parece que até já deixaram de adoecer. Pura e simplesmente morrem. Nem sequer andam por aí, como o Dr Santana entre a 24 de Julho e um ou outro chá-canasta da linha.

Esta manhã uma qualquer serigaita, aprendiz de particante de jornalista com jota maiúsculo e carteira profissional emitida pelo sindicato filiado na central sindical, relatava em directo, sem censura ou exame prévio, o que de trágico ia na perspectiva de encerrar os tais hospitais e nos prejuízos incalculáveis que isso representaria para a população. Especialmente a atingida pelo terramoto de 1755 e a que, se Deus Nosso Senhor deixar, cá estiver em 2755, sem que tenha que ser no dia 1 de Novembro. A cada palavra dita sentia-se que por causa do frio metia à boca uma castanha, dava-lhe a dentada, quase se engasgava e retomava o relato. Só em castanhas deve ter gasto algumas três dúzias, ao preço a que estão não lhe deve sobrar muito do que lhe pagam a recibo verde. Por razões de produtividade, interesse nacional, estabilidade governativa e rentabilidade da banca.

Mais do que isso a dita cuja ousava adiantar uma estimativa. Que aquele hospital a cujos portões enregelava, no ano passado, teria realizado cerca de 14.587 consultas. Nem mais, nem menos: cerca de 14.587, sem nenhum rigor. Cerca de! Porque rigorosamente à meia noite de 31 de Dezembro o médico escalado para o reveillon, quando bateram as sacanas das doze badaladas no relógio de pilhas made in China, estava mais ou menos a meio da consulta 14.588. Que afectou negativamente as estatísticas daquele ano por ter sido desprezada e positivamente as do ano em curso por ter sido considerada.

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