17 de janeiro de 2006

Fim da campanha

Quase ao fim de uma campanha eleitoral que se arrasta, inútil e iníqua, desde o Outono, os eleitores portugueses estão em vias de perceber que o país tem um presidente da república. Alguns, mais instruídos, pensam que vai passar a ter seis, incluindo o simpático Dr Garcia Pereira que julgam conhecer de uma telenovela da televisão independente do Dr Moniz e deduzem, correcta e inevitavelmente, que serão eles a pagar-lhes o ordenado, as ajudas de custo, as viagens ao estrangeiro e as mulheres-a-dias. Outros, que frequentam as igrejas e confraternizam com os abades aos almoços de domingo, sabem que o presidente da república vai mudar - embora para o mesmo! - e os mais próximos da sacristia sabem mesmo quem será o novo, salvo seja, sem ofensa e com todo o respeito pela desprotegida terceira idade.

Mas, tendo da situação o conhecimento que têm, os eleitores sabem tanto para que serve o presidente da república como sabem para que servem os governadores civis. Nunca entenderam as palavras de nenhum, que andaram na escola, tiraram cursos, são doutores e alguns até sabem filosofia como aquele de barrete vermelho cobrindo a carapinha que foi presidente da Guiné-bissau. Sabem-lhe o nome e conhecem-no da televisão onde aparece de vez em quando, sempre bem vestido, de fato e gravata, resguardando-se do sol e dos atiradores furtivos à sombra de uma bandeira igual àquela que a junta de freguesia hasteia aos fins-de-semana. Deseja bom Natal e bom ano novo, nunca é capaz de o dizer directamente, em menos de 15 minutos, e vai-se embora, importante e emproado, sem estender a mão a ninguém enquanto tocam aquela música de que esqueceram a letra e que antigamente se ensinava na escola e na catequese e que hoje a banda da GNR toca também antes dos desafios de futebol da selecção do senhor Scolari.

Graças a Deus, e aos senhores deputados que os eleitores pensam que elegem para seu bem, a campanha caminha para o fim e espera-se que o árbitro lhe não atribua nenhum tempo extra, tanto mais que não houve substituições. Ninguém sabe para que serviu: não trouxe caras novas e ficou-se pelo mesmo mongolóide vazio de ideias. Tão pouco serviu de inspiração ao Dr Vasco Pulido Valente, outro homem culto que sabe de história, conhece a D. Maria Filomena Mónica, e acha que a bióloga Clara Pinto Correia escreve melhores romances que o emigrante José Saramago. Só ainda não ganhou o Nobel, mas a D. Margarida Rebelo Pinto também não!

1 Comentários:

Às 7:56 da tarde , Blogger contradicoes disse...

Pois amigo Luis é muito natural que o Pulido Valente nutra maior simpatia pela Clara e pela Margarida. Eu muito sinceramente aprecio-as mais do que ao Saramago, embora como tenha dito nenhuma delas tivesse sido ainda galardoada. Com um abraço do Raul

 

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