9 de junho de 2006

Avenida Desaliados

Estou pasmo! Onde, senão no Porto? Onde, senão nesta mui nobre, leal e sempre invicta cidade? Que outro lugarejo, aldeia, vila ou cidade nacional pode orgulhar-se do mesmo? Incluindo Valongo, Gondomar, Penha Garcia ou a frívola Lisboa do Dr Santana que diz andar por aí. Que outra cidade estrangeira, mesmo pertencente aos países mais desenvolvidos da União Europeia, como a Letónia ou a Suazilândia. E a Suazilândia, se não pertence à união há-de vir a pertencer e se não está geograficamente na Europa há-de vir a estar. Porque ou a União Europeia se impõe e o consegue ou a há-de democratizar o senhor George W e depois de a democratizar a porá onde lhe aprouver, incluindo Guantanamo.

A cidade dispõe, de há dois dias para cá, de um lavadouro público, com vista para os Paços do Concelho, encomendado pelo mestre de obras Rui Rio e inaugurado solenemente pelo presidente da Câmara. Projectado e erigido pela firma de trolhas SS Moura e Vieira. Falta-lhe ainda a cobertura, mas a água é corrente, límpida e fresca como a que nasce em Arca de Água, por detrás do lago onde chafurda e grasna meia dúzia de patos famintos e heróicos.Acotovelam-se as lavadeiras transportando desde a Rua de Liceiras, em sacos de plástico do Pingo Doce, as ceroulas encardidas dos clientes, as toalhinhas de bidé e o detergente comprado na Vândoma.

Que de bom aviso e grande visão política foi conservar de pé os pinheiros frente ao município. Sempre servem para amarrar cordas de nylon que permitam e facilitem o estendal. Seca mais depressa a roupa com a brisa que vem do mar e o corrupio apressado da vereação que a acentua. A Avenida dos Aliados já era. Viva a Avenida Desaliados!

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