22 de outubro de 2006

Seis por cento

Senhor primeiro ministro, não convocou vossa excelência nenhum referendo sobre o assunto. Nem precisava. Evitou assim o desperdício inútil de energias e o esgotamento inconsequente de inteligências. Ao mesmo tempo que patrioticamente poupou ao orçamento o esforço adicional na cobertura financeira de senhas de presença, ajudas de custo, carros de serviço e cartões de crédito para pagar a mais um desnecessário grupo de trabalho. Já bastou não o ter podido evitar na necessidade que lhe foi imposta de comprovar que os funcionários públicos são mais que as mães, que um e meio por cento de aumento é muito mais do que o Dr Rio recomenda que os seus municipes dêem aos arrumadores e que oito cêntimos de acréscimo no subsídio de refeição vão conduzir ao engarrafamento do trânsito a caminho dos restaurantes do Guincho.

De resto, democraticamente e como sempre, vossa excelência decidiu no remanso isolado e tranquilo da sua residência, perante a sopinha de legumes e o concurso do senhor Malato, sem nenhuma interferência do travesseiro, e fez bem. No rigor com que recomenda ao país que aperte o cinto vossa excelência espremeu o patriotismo do seu governo. Excepção feita ao ministro pereira, que continua a soar-me mais a árvore de fruto do que a nome de ministro, mesmo quando precedido de pedro, ainda que intercalando silva. Com esse não foi vossa excelência um mãos largas, limitou-se a ser cem por cento justo e a converter essa justiça em simples percentagem no aumento dos rendimentos. Não se percebe como consegue vossa excelência conciliar o sono depois de ter limitado o nível da sua justiça, em relação aos outros, a uns míseros seis por cento. O país aceita os sacrifícios, admira o patriotismo mas quer vê-los recompensados. Não pense vossa excelência que alicia seja quem for a aceitar convites para o seu governo na perspectiva de amanhã ser aumentado seis por cento!

1 Comentários:

Às 12:48 da manhã , Anonymous Anónimo disse...

Mas foram todos aumentados os 6%?
É que parece que o referido 1ª ministro vai ganhar menos... Não será falta de rigor da sua parte, meu caro LFV?
Abraço

 

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