2 de outubro de 2006

Emigração

Parece que a partir de hoje se realiza em Lisboa uma conferência internacional sobre políticas de emigração. Os noticiários politicamente correctos, emitidos a partir das antenas de estações com alvarás de licença, adiantam desde logo que aí estarão reunidos os maiores especialistas mundiais na matéria. Seja a matéria aquilo que for e a especialidade aquilo que se imagina que não será e que não virá a ser. Ainda ensonados os jornalistas falaram na motivação que traz à deriva, até aos portos mais próximos do Mediterrâneo, os desgraçados que procuram furtar-se às misérias do continente africano, enquanto eles, confortavelmente, trincam o brioche e se escaldam no café com leite magro, por questões de linha. E falam no sonho que será para as sucessivas vagas de maltrapilhos e famintos chegar ao hipotético eldorado europeu que lhes povoa a cabeça pequena e o espírito mesquinho.

As políticas de emigração, ao fim e ao cabo, apenas querem prevenir a invasão de quem chega faminto de tudo e também de alimento. Não visam acolher ninguém que não esteja fisicamente em condições de ser explorado. Na violência das tarefas, nas intermináveis horas de trabalho, na exiguidade do salário e na selvajaria de um qualquer liberalismo a que atribuem a paternidade de todo o progresso. Amén!

4 Comentários:

Às 8:53 da tarde , Blogger Funes, o memorioso disse...

"Não visam acolher ninguém que não esteja fisicamente em condições de ser explorado. Na violência das tarefas, nas intermináveis horas de trabalho, na exiguidade do salário e na selvajaria de um qualquer liberalismo a que atribuem a paternidade de todo o progresso."

Aposto que os especialistas vão sugerir que, para travar esta onda de imigrantes, a Europa passe a criar condições para os explorar directamente nos seus países de origem.

 
Às 9:25 da tarde , Anonymous Anónimo disse...

A hipocrisia é muito grande neste campo como em outros. A Espanha, sul, Catalunha e Valencia precisam da mão de obra clandestina paga a 2 reis de mel coado para a agricultura. Li num jornal catalão que se os emigrantes fossem reenviados todos, haveria uma crise na agricultura.
Mas também são explorados e de que amneira nos seus paises de origem e já há séculos...O colonialismo e depois o neocolonialismo são formas de exploração tão acentuadas que têm impedido o desenvolvimento da maioria dos paises africanos onde a miséria vai grassando a passos galopantes em conjunto com a SIDA e Tuberculose, o analfabetismo, as guerras fratricidas e onde os governos são não só corruptos como profundamente perversos

 
Às 3:55 da tarde , Anonymous Anónimo disse...

Ah esqueci-me de dizer que tens uma forma muito interessante de escreveres que deveria ser melhor aproveitada ainda que respeite muito os blogs, claro

 
Às 7:20 da tarde , Blogger contradicoes disse...

Caro amigo Luis sempre oportuno na escolha da abordagem. Antes eram os africanos as vitimas da exploração nas empresas de Obras Públicas, mas presentemente são os oriundos dos paises de leste. E por acaso conheço alguns destes indivíduos que estão a ser escandalosamente explorados quer com salários baixos e com meses de atrazos nos pagamentos. Sei ainda que quando em desespero de causa insistem com o patrão, é-lhes dito que cala-te senão comunico qos SEF que estás cá em situação ilegal. Um nojo estes pseudo-empresários. Um abraço do Raul

 

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