26 de junho de 2006

A garrafa de gás

Aqui, na Rua de Santa Catarina, dois prédios foram pelos ares há mais de um ano. O trânsito foi vedado a veículos durante uns dias, interdito a transeuntes durante três semanas, vedado a mirones e patos bravos durante um quarto de hora. Quem decide, expedito e pressuroso, nomeou uma das muitas comissões de inquérito em que o país é pródigo a todos os níveis e em todas as circunstâncias. Composta, segundo se supõe, por uma boa meia dúzia de membros, de forma a garantir que se atrapalhassem uns aos outros e que não concluíssem coisa nenhuma. Fixou-se-lhes seguramente a remuneração, o valor das senhas de presença, o subsídio de refeição, o direito a férias e a gratuitidade na utilização dos transportes públicos. Por mero e desculpável lapso não se lhe terão fixado objectivos nem determinado prazos. Mas não ficou esquecida a obrigatoriedade da comissão reunir, em plenário, uma vez de dois em dois meses, com o presidente a presidir e o secretário a secretariar. Porque uma comissão profissional e independente que se preze não aceita trabalhar sob pressão, à semelhança da ministra da educação que durante as greves dos professores não admite sequer referir-se aos respectivos sindicatos.

Após um ano, adiantada em relação ao prazo que não havia, a comissão concluiu pela responsabilidade de uma garrafa de gás. Não se sabe se cheia, se vazia, se fornecida directamente pela refinaria de Leça da Palmeira ou se importada algures do médio oriente, quem sabe se mesmo do Iraque libertado, democrático e feliz. Sobretudo Iraque feliz, não dê nada que dá o Dr. Rio! Mas supõe-se ter havido uma explosão, do mesmo modo que se presume ter sido esta a responsável pelo estrondo que os moradores circunvizinhos insistem em dizer ter ouvido naquela noite fatídica. E a comissão, diligente e sem honorários em atraso, promete concluir sobre isso em período complementar de averiguações que não exceda mais um ano, no máximo dois. Depois, com a legislatura e o mandato dos autarcas correndo para novas eleições, lá se vão a comissão, os honorários, o subsídio de refeição e as conclusões. Nada de novo, afinal. Se calhar o raio da garrafa até tinha gás!

5 Comentários:

Às 4:40 da tarde , Blogger contradicoes disse...

Boa malha. E mais uma vez ficamos quando o inquérito se concluir, se até lá os seus membros não se desentenderem e alguns deles solicitarem a sua desvinculação sem conhecer o resultado das causas que motivaram o acidente.

 
Às 10:43 da tarde , Anonymous zezagaia disse...

Poijé.

Como dizia o pilha-galinhas quando foi interceptado pelo guarda nocturno.
Olha o raio da galinha onde se veio apoisar...

Diríamos nós:
Olha o caraças da garrafa onde se havia de arrebentar...

 
Às 8:56 da tarde , Anonymous Anónimo disse...

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