28 de março de 2013

O que se passou em Chipre


Eu gostaria de dizer isto em poucas e simples palavras. Porque só temos opiniões próprias sobre as coisas que entendemos. E, a pretexto da especialização e da complexidade dos temas, o poder político visa exatamente o contrário: complicá-las para que as não entendamos. Se não compreendermos o jargão que utilizam não teremos bases para opinião própria e é quase certo que não reagiremos sobre o que não entendemos.

Os bancos eram tradicionalmente instituições que recebiam depósitos e faziam empréstimos. Dos empréstimos feitos resultavam juros que permitiam pagar juros mais baicos aos depósitos e ficar com uma parte que representava a remuneração e o lucro do banco. Esta lógica é simples e fácil de entender. Mas, ao longo do tempo, a invenção, a ganância do lucro, a falta de escrúpulos e modelos de gestão perfeitamente criminosos subverteram tudo isto. Com a inestimável contribuição do Estado, o mais impune ladrão de todos.


Foi esta prática que levou ao conhecido caso BPN e, depois, ao caso BPP, que o governo deixou cair, embora permitindo que o seu dirigente máximo se continue a afirmar de mãos imaculadas, gestor exemplar e a viver num casebre da Quinta da Marinha, com vista para o mar. E, no caso do BPN, o Estado entrou bom biliões de euros – dos nossos impostos! -  para depois o vender, naquilo a que chamou um bom negócio, por simples 40 milhões, ao rei da cortiça e a um seu sócio angolano, do mercado do Roque Santeiro.

Não cabe na cabecinha arrumada de nenhum de nós fazer hoje um depósito na nossa conta no banco X (o nome é indiferente, andaram todos na mesma escola, até quem dirige a pública Caixa Geral de Depósitos) no valor de 1.000 euros e o mesmo banco, amanhã, nos dizer que só nos dá 800, roubando-nos os outros 200. Sendo roubo um termo muito forte, que nem a ladrões agrada, a terminologia oficial fala em “taxa”. E não há um só profissional da dita comunicação social que diretamente refira o roubo, até porque se sabe quem são os donos das televisões, das rádios e dos jornais que lhes pagam.

Portanto o que aconteceu em Chipre foi literalmente isto, excluindo à última hora os depósitos até 100.000 euros – cerca de 20.000 contos em escudos ou mais de 15 anos de salários mínimos -, independentemente da forma como o dinheiro tivesse sido ganho, legal ou ilegalmente. E recorde-se que neste Portugalzinho pequenino, a cair do Cabo da Roca abaixo, o poder instituído já recusou que o chamado enriquecimento ilícito fosse criminalizado. Ou, por outras palavras, em Portugal é perfeitamente legal enriquecer ilegalmente. Se assim não fosse os distintos Oliveira e Costa, Dias Loureiro, Duarte Lima e outros não teriam onde cair mortos... Tudo gente honesta, no âmbito da ilegalidade permitida pela legalidade que eles próprios ajudaram a definir. Tudo ladrões condecorados e celebrados pelo regime!

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