19 de março de 2013

Sinal vermelho


Até há dois ou três dias atrás não se sabia e nem se suspeitava sequer que relação poderia haver entre um semáforo vermelho, um rapaz de motorizada e um polícia armado. E afinal há, e estreita. Tanto, que é por demais quimicamente explosiva, se as três coisas se vierem a localizar simultaneamente num raio de alguns 50 metros ou pouco mais.

Primeiro um rapaz de motorizada, mesmo velha, resiste mais facilmente a uma garina virgem de 15 anos do que a um semáforo vermelho. É ver-lhe a cor e atira-se-lhe para cima, salvo seja, e não se façam comparações com a garina. E um polícia armado tem por um rapaz de motorizada que se atira a um semáforo vermelho a mesma fatal atração daquele pelo semáforo. E tanto assim que saca do canhangulo que trás à cintura e desata a disparar para o ar como se o Benfica tivesse acabado de ganhar o campeonato. Para festejar? Não, muito apenas para avisar o rapaz que lá porque o semáforo tem a cor do clube, os semáforos vermelhos devem deixar-se tranquilamente em paz, sem os assediar, como se faz às garinas de 15 anos e minisaia.


Pior é quando o canhangulo, herdado da guerra de 1914-18, ainda funciona e dispara mesmo. Embora um tiro para o ar possa desviar a trajetória – parece que a balística explica isso! – e ir direitinho se não ao corpo do rapaz, pelo menos à lataria da chocolateira. E este, com a atrapalhação da minisaia da garina, do rubro do semáforo e do estampido do tiro, se despista e dá com os cornos num bloco ou num passeio de cimento. E acaba por deixar os miolos espalhados pela via pública e vai desta para melhor.

Explicação mais surrealista do que disparar para o ar, para avisar um rapaz de motorizada que não se passa com o sinal vermelho, só poderia vir do saudoso Mário Cesariny. Mas este mudou-se, onde ele está os telemóveis não têm rede e não há sacana de tiro de aviso que lhe chegue. A menos que ainda tenha sobrado uma munição ao senhor polícia e este esteja na disposição de a disparar para os pés. A ver se a balística a leva para o céu e o senhor Cesariny  ouve o disparo e dá à explicação uma forma que possa ser digna de um surrealista a sério, como ele ou o senhor António Maria Lisboa! Apenas porque é preciso avisar toda a gente!


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