1 de dezembro de 2013

A desrestauração

Finalmente um governo patriota e determinado tem perseguido, activa e insistentemente, a limpeza dessa nódoa da história nacional que é a restauração nacional de 1 de Dezembro de 1640. Em primeiro lugar foi eliminado o feriado nacional que era reservado à celebração da data. O que, mais do que lógico, é útil e proveitoso. Porque não cabe na cabeça de ninguém celebrar o que não existe e porque nada justifica que a banca prescinda de um dia de trabalho dos calaceiros a quem dá emprego remunerado principescamente. E, para as dúvidas, ainda para aí anda o engenheiro Jardim Gonçalves, pronto a atestá-lo, desde que lhe paguem as despesas de deslocação.


Miguel de Vasconcelos, ao que consta atirado de uma janela do Palácio da Ribeira abaixo, foi muito justamente reabilitado sob o suposto nome de Paulo Portas, de forma irrevogável e definitiva. Primeiro como ministro não sei quê dos estrangeiros e depois como vice-ministro das laranjeiras, sob os aplausos unânimes, e de pé, dos ministros das motorizadas e das cervejas. A duquesa de mântua foi igualmente reabilitada, homenageada com o nome numa travessa de Aguada de Cima – que não tem culpa nenhuma! – mesmo ao lado do Vidal dos leitões e premiada com quatro meses de licença de parto pelo seu contributo para o aumento dos índices de natalidade e pelo evidente sentido de estado do milheiral.

Dom João IV foi desqualificado como Lance Armstrong na volta à França, por uso de métodos proibidos e devolvido ao seu palácio de Vila Viçosa, terra que o acolheu a contragosto e lhe arremessou alqueires de tomates maduros ao coche que o transportava, proferindo impropérios e insultando-lhe a família. Tudo sob o suposto nome do rural Cavaco Silva, nascido além fronteiras, nos reinos do Algarve, e contando no currículo com duas idas ao reino de sua majestade para levar encomendas de vinho fino, destinado a umas jantaradas na moradia de Buckingham.

Passos Coelho, sem enquadramento zoológico adequado, foi transitoriamente devolvido a Massamá a bordo de um automóvel topo de gama, em trânsito para Bruxelas. Onde, a mando da senhora Merkel e da troika, defenderá com unhas e dentes, carro de serviço, cartão de crédito e um sofrível salário de alguns 50.000 euros, o interesse nacional, o pagamento não se sabe de quê à EDP e a venda alegre, e a preços da feira da ladra, de património nacional como a Ana e os CTT. Os compradores receberão ainda, a título de reconhecimento pelo indefectível patriotismo, os estaleiros de Viana do Castelo, o Banco Privado Português, os Drs. Oliveira e Costa e Vale e Azevedo e, ainda, umas desprezíveis centenas de milhões de euros.

Está a caminho a salvação nacional e a soberania sobre a ilha do Pessegueiro, para onde já foram mandadas marchar quatro praças, dois sargentos e seis oficiais generais. Em Coimbra, Dom Afonso Henriques auto-exuma-se. De orgulho!


1 Comentários:

Às 7:42 da tarde , Blogger Para a Posteridade e mais Além disse...

lance Armstrong? atão não se lançavam só livros?
agora fazem-se lançamentos em vivo?
carrada de murcões

 

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