29 de setembro de 2013

O senhor Silva foi à televisão

O senhor Silva foi ontem à televisão para abrir a boca. Terão sido acidentais os acordes prévios do hino nacional, poderiam muito bem ter sido os de um dos múltiplos sucessos com letra, música, arranjos e orquestração superiores do celebrado artista Quim Barreiros, da cosmopolita Vila Praia de Âncora, terrinha simpática que não tem culpa nenhuma e que, logicamente, não deve ser para aqui chamada.

Eu tremo sempre que o senhor Silva abre a boca, excepto quando o faz para trincar uma fatia de bolo-rei que, já agora, o orçamento público suporta. De resto, tremo e temo, porque o vejo empoleirado no topo do pau de sebo que antigamente espetavam nas feiras, uma mão no bacalhau e a outra no garrafão, esquecendo-se de que só tem duas. E cair dali abaixo, a estatelar-se no solo, a gritar impropérios e a partir as costelas, com a Maria de véu negro a cobrir-lhe a face de toutinegra, lavada em lágrimas e em lamentos.


Esperei ontem que, por influência de um qualquer assessor, sofrivelmente pago à razão de alguns quatro mil euros mensais, viesse como qualquer ventríloquo de circo, apelar ao voto para as tais autárquicas de hoje. Mas não, à falta de bolo-rei, preferiu começar pela asneira. E reclamar de imediato a alteração das leis eleitorais que prejudicaram o eleitor e o seu cabal esclarecimento sobre os projectos dos candidatos. Poderia o senhor Silva ter reclamado mais alguma democracia e mais alguma transparência, que vão faltando cada vez mais. Sempre vale mais tarde do que nunca e poderia o eleitor ficar a saber alguma coisa dos desvarios do senhor Silva primeiro-ministro, da sua expo e do seu centro cultural bem como dos respectivos descalabros financeiros. Ou das estroinices do senhor Silva de Belém, a comer pasteis, a engasgar-se com a canela em pó e a fazer visitas de estado às selvagens e às cagarras.

Mas não! O senhor Silva ou come bolo-rei ou sai asneira. E nós já deveríamos todos saber disso, não era?


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