25 de janeiro de 2017

O sol ferindo a escuridão do teu silêncio

O sol ferindo a escuridão do teu silêncio. O sol nascendo-te na boca, dando cor ao perímetro dos teus lábios. O sol brilhando-te nos olhos, transbordando de sonhos. O sol iluminando-te a face tranquila. O sol atravessando-te os cabelos sedosos e revoltos. O sol enchendo-te o peito, pulsando-te no coração. O sol despindo-te em contraluz numa tarde de verão. O teu corpo à transparência do sol. O sol prateado nos repuxos dos jardins, os carreiros cheios de pombas. O sol harmonizando o repouso dos pardais e o voo rápido das andorinhas. O sol pousando nos teus passos, abrindo-te o caminho para a manhã de sábado e para o abraço. O sol preso aos dedos com que me aqueces as mãos e me seguras a inquietação. O sol no sabor quente dos teus beijos, em que se afoga a minha ansiedade. O sol no cheiro único do teu pescoço, ansiolítico para as noites frias de inverno, braços abertos para a carícia. O sol na sensualidade dos teus gestos. Todos, múltiplos, pequenos e grandes. O sol na fogueira do teu desejo, no compasso quaternário da tua respiração. Um sol sussurrado, um sol inteiro no teu ventre. O centro definitivo e completo do sistema solar.


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