10 de dezembro de 2016

Perguntas-me

Perguntas-me: gostas um bocadinho de mim? Com uma voz meiga, quase imperceptível, que se vai perdendo no sono. E no último verso de um poema sem métrica e sem rima. É esse bocadinho de voz que fica comigo. A certeza solitária com que adormeço. A presença distante com que durmo. A novidade com que desperto na manhã seguinte. A tua voz a chegar-me também aos bocadinhos. Um pouco de ti com cada palavra. Até seres toda nos meus braços. Inteira na minha resposta. Sem que esta precise de palavras, basta a minha mão sobre a tua ansiedade. Sentindo o calor fresco da tua pele. O toque sedoso dos teus cabelos. O desenho macio dos teus lábios. A promessa que mora no oceano tão líquido dos teus olhos. O porto de abrigo a que me acolho, depois da remota viagem e da longa espera.


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