13 de novembro de 2016

Faço-me à estrada, virado a norte

Faço-me à estrada, virado a norte. De onde sopra este vento persistente, varrendo as praias, grávido de cinzento carregado e de inverno próximo. Nas margens do sábado as árvores fogem à desfilada para sul, como se isso lhes prolongasse a vida e atrasasse a perda do cabelo. Na memória apenas viaja comigo a beleza breve de uma magnólia branca, ainda com todo o verão à volta, o sol alto brilhando-lhe nas folhas.



Sigo à beira mar, ignorando os bandos de gaivotas encostados a um canto da maré. Há-de haver um rio que traga água doce para a sede dos marinheiros. Que se entregue à longa dimensão do mar numa curva do caminho, porque todos os rios se furtam ao abraço do oceano com o atalho de uma curva no caminho. Uma curva com um rochedo ao meio, onde possam pousar os corvos marinhos, atentos ao percurso dos cardumes e à cor negra da fome que lhes enfraquece a energia do voo e o brilho das penas. Mais do que isso, há-de haver uma silhueta a desenhar-se no meio da neblina, atrás da qual se escondem os barcos atracados ao cais. Uma figura esguia de mulher, trazendo o sol na brancura dos dentes e um cesto de promessas na luz castanha do olhar macio e doce. Ao princípio de uma tarde única e curta de Novembro.

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