8 de outubro de 2016

Circunavegação

Acordo a meio da noite, quando é mais escuro o sono e distante a cintilação das estrelas. Estão calmas as águas e tranquilo o desconhecido rumo que levamos, toda a nau rangendo ao ritmo a que lhe balança o gume da quilha. Com promessas convictas de terra a estibordo, como se dali se ouvisse o voo colorido dos pássaros e se adivinhasse o prenúncio da madrugada, como um resto de restolho sobre as areias das praias e os silêncios da história.



A circunavegação perfeita, à volta da geografia inteira do teu corpo, como península sem istmo. Com uma escala que transforme em água fresca o sal ardente e grosso que te cristaliza no céu-da-boca. E que seja descanso o fogo que se ateia no cume erecto dos teus seios, a queimar-me as pontas espigadas dos cabelos e o horizonte marinho e próximo da paisagem.

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