3 de setembro de 2016

Pelo sol macio de setembro

Pelo sol macio de setembro as mulheres descem pelas encostas dos montes, trazendo a fartura das vindimas no regaço e o mosto doce enchendo-lhes o olhar aberto e extenso. A geometria poética dos socalcos morrendo, reflectida no rio de águas tardias que se arrasta pelo leito esculpido entre penhascos, acolhendo a ternura vermelha e quente do crepúsculo. Nada mais fica para dizer dos fogos que consumiram o verão e que marcaram de cinzento e fumo toda a paisagem que sobra como herança, que ninguém reclama, mas que amanhecerá por todos os dias curtos de outono, entrando pelo frio impenitente do inverno.



Até lá, será apenas a leveza elegante dos teus passos a dar ao vinho novo o sabor frutado que fermenta nos pomares, enquanto célere vai correndo o calendário e no fundo dos copos de prova se vai depositando um resto amargo e turvo. E no brilho fresco das manhãs, o sol vestirá rio e margens, deixando o vermelho saudoso da parra ir lentamente caindo por entre as horas das longas noites de lua nova. 

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