5 de agosto de 2016

Voltar devagarinho ao teu regaço

Aproveitar esta serena e tranquila manhã de sol e verão, para voltar devagarinho ao teu regaço. Aconchegar-me ao travesseiro confortável e morno dos teus seios, sentir nas narinas o perfume alegre e fresco que se te solta dos cabelos, sentir o veludo macio das tuas mãos acariciar-me a testa e alisar-me os caracóis rebeldes. Abrir lentamente os olhos, transbordando uma esperança verde que apenas se encontra nas copas das magnólias, enfeitadas de branco no início de agosto. Como grinaldas nas cabeças das noivas que ainda se alinham às portas das igrejas nas tardes de sábado, com saltos altos e trejeitos nervosos nas pontas dos dedos.

Procurar o perfil suave e redondo dos teus joelhos, sentir-te a pele macia tisnada pelo sal que traz a maresia, sacudir as partículas de areia que se te agarraram como parasitas da beira-mar e deixar este persistente vento norte seguir o seu caminho. Sucumbir ao cansaço que me deixou tão longa ausência de ti, escorregar sonolento pela cordilheira de ternura que mora no teu peito e acabar aninhado no teu colo, como se fosse a criança que sempre fui, os olhos cerrados sonhando infinitos, a tua mão protectora sobre a fragilidade do meu ombro e o repouso do meu sono.


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