17 de outubro de 2016

Erradicação da pobreza

As bigornas, as fornalhas cheias de carvão em brasa, alinhadas nas caixas fortes dos bancos. Fabricando moedas de euro para a erradicação da pobreza. E para a distribuição de dividendos nos corpetes das senhoras de meia-idade, a sair dos salões dos cabeleireiros. Da combustão não restando cinzas, mas papel branco para o decreto que levará o pão e a felicidade às famintas e infelizes crianças de África. A fome a cair de morta, feita em pedaços, pelas escadarias dos ministérios, sucumbindo aos golpes fatais das canetas hábeis e sábias dos ministros e seus sanchos pança. Às portas, batalhões armados até aos dentes, protegendo a fome do assalto, tão cobiçada ela anda no arroto prostituído dos donos do carvão para as brasas. E dos fabricantes das fornalhas e bigornas, para o incêndio dos telhados de colmo que a abrigam do relento.


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